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Mentir no currículo pode virar crime

Mercado
13/09/2010

 

Atualmente tramitando na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 6561/09 pode tornar crime algumas mentiras que muita gente põe no currículo para dar aquela melhorada e ter mais chances na hora de se candidatar a uma vaga de emprego. “Se aprovado, esse novo tipo penal tornará crime aquele que no todo ou em parte falsificar ou alterar informações presentes no currículo, inserindo dados falsos”, explica Fernanda Campos Belfort, advogada especialista em direito do trabalho. A pena será de dois meses a dois anos de detenção.

“O benefício do projeto é que, se der certo, vai se perder menos tempo nos processos de seleção e se evitará que o selecionador tenha de entrevistar ou aplicar novas provas e testes em alguém que, na verdade, não tem as qualificações declaradas”, diz o consultor Laerte Cordeiro, diretor-presidente da Laerte Cordeiro Consultores em Recursos Humanos. Ele cita algumas dessas mentirinhas básicas que quem dá acha que são inofensivas: o inglês que não é fluente, o mestrado que é um MBA e os cargos e períodos em empresas anteriores que são inflados.

Fernanda acredita que a medida traz benefícios não só para os recrutadores. “Vejo como positiva a iniciativa em punir o falsificador de currículos, pois essa prática, embora muito comum, torna desleal a disputa entre candidatos”.

Currículo não é tudo

Para quem acha que mentir no currículo dá alguma ajuda, Laerte Cordeiro adverte. “Um bom currículo por si só não dá emprego para ninguém. Um mau currículo ou um currículo desonesto, no entanto, pode tirar do profissional uma boa oportunidade”. Ele explica que o candidato deve, na verdade, saber enfatizar as próprias qualidades e não os defeitos.

Para quem opta por aumentar a lista de qualificações, Fernanda ensina que a boa-fé é inerente à relação de emprego. “Tendo o empregado o dever de prestar diligentemente o serviço ajustado, o seu desrespeito constituirá falta disciplinar passível de punição, respaldando uma possível demissão por justa causa por parte do empregador, caso necessária”.

Uma vez aprovada a lei, não significa que a vida dos recrutadores será um mar de rosas. E realizar os trâmites necessários para o processo pode ser um problema. “Se tiver muita burocracia para os selecionadores, vai acabar não funcionando mesmo”, alerta Cordeiro.

A advogada concorda. “Face o problema social do desemprego no Brasil, o candidato poderá optar por correr o risco de inserir dados falsos no currículo e empregar-se a ser verdadeiro e mais um na fila de desempregados.”

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 03/09/10.

 

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