Huma

45 minutos do segundo tempo

Mercado
23/11/2011

Tenho acompanhado na mídia a grande preocupação nacional com o andamento dos preparativos para a Copa de 2014. Muito se fala, mas pouco se faz. Alguns políticos, como o prefeito e o governador de São Paulo, dizem não se preocupar, pois tudo está acontecendo dentro do planejado. Planejado? Tenho a impressão de que novamente nos deparamos com um velho problema nacional: a falta de planejamento.

Mas não é simplesmente a falta de um planejamento do tipo “O que vamos fazer? Quem vai fazer? Onde será feito? Como será feito? Quanto custará? Quanto tempo vai levar?”. Estou falando de algo mais estratégico. Algo que contemple coisas como: visão sistêmica, aprendizado social, cultura de inovação, liderança, constância de propósitos, visão de futuro, geração de valor, desenvolvimento de parcerias, responsabilidade social etc.

Até o momento estamos mostrando ao mundo o nosso “amadorismo” e imaturidade para lidar com um evento de tal expressão. Acredito que na cabeça da maioria dos brasileiros a afirmativa “Não precisa se preocupar. No final, tudo dará certo” é uma crença forte e que se reflete em muitos comportamentos diários. Pode até ser, mas a que preço?

Fiz essa introdução inicial para promover algumas reflexões: por que temos tanta dificuldade em trabalhar com o planejamento? Há duas possíveis respostas: ou não sabemos fazer um bom planejamento, e se não sabemos precisamos aprender e treinar, treinar muito, até nos tornarmos especialistas. Ou porque não acreditamos na importância dele para melhores resultados, neste caso devemos adotar uma maior consciência da sua importância, aprender a fazer e treinar, treinar muito, até nos tornarmos especialistas.
Dentro do contexto organizacional, me deparo constantemente com pessoas que dizem não ter tempo para planejar e, se tiverem que parar para planejar não consegue fazer o que precisam, gerando atrasos nas suas entregas diárias. Gostaria de entender porque o planejamento é visto por algumas pessoas e empresas como algo que está à parte do trabalho

Temos tempo para corrigir erros e lidar com retrabalhos, no entanto, nos falta tempo para planejar. Se voltarmos um pouco para o passado e nos lembrarmos de algumas atitudes ficará claro que temos comportamentos que reforçam a cultura da falta de planejamento e de deixar as coisas para a última hora, correndo riscos e acreditando que no final tudo dará certo. Na escola, deixávamos para estudar na semana da prova ou até mesmo um dia antes, deixávamos para entregar o imposto de renda na última hora etc.

Agora, vamos para o mundo corporativo e levamos esta cultura para as relações interpessoais, intraorganizacionais e interorganizacionais. O que fazer para melhorar a cultura do planejamento e da pontualidade? Não seria a pontualidade um reflexo do planejamento? Quais as vantagens de se trabalhar com o planejamento estratégico? Que tal adotarmos a cultura da pontualidade através de um planejamento estratégico estruturado, gerando resultados extraordinários dentro do prazo, com tempo para comemorações e sem deixar nada para resolver aos 45 minutos do segundo tempo? Pense nisso!

* César Ayer é consultor e trainer da Crescimentum. Formado em Administração de Empresas e pós-graduado em Marketing pela Universidade Paulista. Consultor em treinamento e desenvolvimento. Especialista em treinamentos comportamentais nas áreas de Gestão Intra e Interpessoal, Comunicação Pessoal, Formação de Equipes de Alta Performance, Liderança, Negociação e Técnicas de Apresentação.

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