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A gentileza usada como uma ferramenta de Gestão de Pessoas

Mercado
21/11/2012

1 – Como o hábito de ser gentil pode colaborar com um bom ambiente de trabalho?

Sr. Gentileza: A gentileza é um predicado indicado para ser “usado” em qualquer situação de nossas vidas, seja pessoal ou profissional, não tem contra indicações e sempre traz retornos positivos. Sendo assim, ter hábitos saudáveis em casa, com os amigos ou no trabalho favorece para que haja harmonia em todas as atividades que precisam ser realizadas. Em termos práticos, posso elencar alguns gestos de civilidade que, sendo gentis e sinceros, colaboram para a saúde e qualidade de vida na empresa. Por exemplo, cumprimentar os colegas, agradecer, ser tolerante e manter a compostura em momentos de crise ajudam a minimizar o desgaste do convívio entre as pessoas e aliviar a pressão que é cada vez mais intensa.

LG: Você acredita que a gentileza é um fator determinante para o sucesso de uma equipe?

Sr. Gentileza: Apesar de não ser a única forma de gestão, a gentileza é uma ferramenta poderosa e eficiente para o sucesso de uma corporação, não importando seu tamanho e a quantidade de colaboradores. É comprovado que – uma gestão baseada em atos gentis – é capaz de transformar os indivíduos e estimulá-los a ponto de quererem se dedicar cada vez mais às suas equipes. Se uma engrenagem funciona perfeitamente, sem grupos resistentes a mudanças e entrosados, o cliente externo acaba percebendo e preferindo consumir/comprar com esse fornecedor. Uma empresa gentil é próspera e um verdadeiro “lar” para seus profissionais.

LG: Por sua experiência com palestras e consultorias para empresas de diversos segmentos, quais áreas possuem maior dificuldade de exercitar a gentileza no trabalho?

Sr. Gentileza: Em todas as empresas que prestei consultoria ou apliquei o método da “Gentileza no Trabalho” através de treinamentos ou palestras, encontrei problemas muito comuns como a fofoca, intrigas, insatisfação com as lideranças e assédio moral. Independente dos motivos pelos quais minha empresa foi contratada, posso afirmar que a hostilidade (ou falta de gentileza) não é exclusividade de alguma área, setor específico ou certo tipo de profissional. Todos nós somos passíveis de erros e fraquezas e, praticar a gentileza, às vezes, é um ato penoso. Em algumas situações, nos vemos confrontados com alguns problemas e precisamos reagir para nos defender ou evitar algum constrangimento. Por isso, a gentileza está na base de uma lista de valores. De qualquer forma, para que ela faça parte do nosso dia a dia, deve ser um hábito e praticada em qualquer momento.

LG: De que forma os gestores podem trabalhar a gentileza no ambiente de trabalho? Quais resultados são possíveis conseguir investindo em gentileza?

Sr. Gentileza: Existe forma e método para aplicar a gentileza no ambiente profissional que, quando adotados com seriedade e compromisso, alcançam resultados surpreendentes. A capacitação dos líderes/gestores é fundamental para que os efeitos possam ser percebidos, mesmo porque, o treinamento é indispensável para o sucesso de qualquer pessoa, equipe ou empresa. Podemos esperar a humanização do ambiente de trabalho, o aumento da satisfação pessoal, a mudança no foco da gestão – do opressor para o harmônico – transformando esse ambiente em um local saudável, leve e repleto de oportunidades. Além disso, melhorar as relações entre as equipes e com clientes externos (nesse caso, favorece a captação de novos negócios e sua fidelização), alavancar os resultados e as metas estipuladas.

LG: O ato de ser gentil está muito relacionado à educação e à cultura de cada pessoa. Qual a melhor forma de conseguir agregar esses valores básicos na vida do colaborador? De que forma a educação corporativa pode auxiliar nessa mudança de cultura?

Sr. Gentileza: A gentileza pode ser definida com um conjunto de valores e predicados que são pertinentes a cada um de nós, ou seja, variáveis importantes que adquirimos desde o nascimento, com o convívio com pais, familiares e amigos no dia a dia. Posso citar, com destaque, alguns valores importantes em nossa sociedade: verdade, tolerância, respeito, bons modos, confiança e empatia. Cada empresa possui sua missão, visão e valores. Nós conhecemos todos eles quando somos contratados e precisamos colaborar para que sejam cumpridos à risca. Nesse caso, uma boa gestão de recursos humanos se incumbe de divulgá-los e compartilhá-los de uma forma que todos se comprometam em respeitá-los. Porém, o principal está sendo esquecido por boa parte de gerentes e líderes de RH: devemos conhecer a missão e os valores de nossos colaboradores para que o caminho de volta também seja percorrido. Como exigir que os profissionais de nossa empresa trabalhem para manter nossos princípios se sequer temos conhecimento do que é importante na vida deles? Através de um programa de Educação Corporativa poderá sim acontecer uma mudança, de indivíduo para indivíduo, de setor para setor, até que toda a cultura organizacional de uma empresa seja mudada e transformada, se pautando na gentileza.

LG: Quais os principais desafios para driblar a falta de gentileza no trabalho?

Sr. Gentileza: Muitas pessoas me questionam de que forma conseguem vencer a hostilidade ou o assédio moral no ambiente profissional, pois são muitos os desafios diários, principalmente no que diz respeito ao relacionamento com outros colegas ou “chefes”. Ainda enfatizam que tentam ser gentis e não obtém retorno imediato por causa da delicadeza ou sensibilidade em alguns casos. Porém, nada adiantará se não houver uma intenção verdadeira de mudança. A gentileza é um predicado sublime, que está dentro da gente. Não podemos esperar que a iniciativa parta do presidente da empresa. Cada um de nós precisa dar o “start” e buscar a harmonia interna. Depois, através de gestos, podemos espalhar e disseminar o bem como mola propulsora ao sucesso.

LG: Para as empresas que julgam necessários os investimentos nessa área, por onde elas devem começar? Qual seria o primeiro passo?

Sr. Gentileza: Quando somos contratados para ministrar treinamentos exclusivos e estratégicos de Gentileza Corporativa, buscamos diagnosticar a qualidade dos relacionamentos internos. Às vezes fazemos reuniões intensivas com o RH e alguns líderes para que possamos entender os reais motivos de tanta hostilidade e descobrir se, de alguma forma, a falta da gentileza está interferindo nos resultados. Sugiro que as empresas aceitem a ideia de que é indispensável a preocupação com seu capital humano e “abram as gavetas” para investir em treinamentos e capacitação. Foi-se o tempo em que simplesmente geríamos números. Hoje, empresas saudáveis e gentis, se preocupam com sua principal riqueza: gente.
 

A gentileza usada como uma ferramenta de Gestão de Pessoas
Luiz Gabriel Tiago é escritor, palestrante e consultor em treinamentos. Conhecido como Sr. Gentileza, aborda em suas apresentações, cursos e workshops a gentileza no ambiente profissional, qualidade no atendimento e capacitação profissional. Ganhador do Prêmio “Ser Humano 2012”, da ABRH, com o melhor treinamento do Brasil. Sr. Gentileza é autor de dois livros e diariamente dá dicas sobre os Princípios da Gentileza.

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