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Big Data: a tecnologia a serviço do RH

Mercado
30/12/2013

LG Sistemas: Big Data, como é chamada a tecnologia capaz de cruzar um número exorbitante de dados, tem transformado diversas decisões de negócios, inclusive da área de RH. Há quanto tempo essa tecnologia está sendo usada no processo de recrutamento e seleção da Votorantim? Qual foi o objetivo da empresa ao optar pelo uso do Big Data?

Paula Giannetti: Quando falamos de Big Data aqui no Brasil é algo muito recente. E, mesmo lá fora, já está sendo pensada e desenvolvida no campo das grandes corporações da área de tecnologia e até mesmo governamentais. No campo de Recursos Humanos, isso é algo muito novo, e ainda não existe nada tão avançado nesse sentido, o que existem são ferramentas usadas por algumas empresas para trabalhar o conceito de Big Data e trazer alguns benefícios que ela oferece para a área de RH.

Hoje, o que tem de mais conhecido quando se fala em Big Data para Recursos Humanos é o Linkedin, porque lá estão as pessoas que tradicionalmente não estão procurando emprego ou possuem especialidades muito específicas. Nós usamos essa tecnologia para poder descobrir onde estão esses perfis de profissionais e encaminhá-los para o nosso processo de recrutamento e seleção.

No caso da Votorantim, nós temos experimentado o que tem surgido de novo. Somos parceiros do Linkedin, quase que desde o momento em que eles pisaram aqui no Brasil. Neste ano, especificamente, temos trabalhado essa questão de mapeamento nas redes sociais e de como encontrar profissionais diferenciados no processo de seleção de jovens talentos, que é o nosso programa de trainees.

LG Sistemas: Como foi o processo de implantação dessa nova tecnologia? Houve muitas dificuldades no processo de adequação da equipe de RH? Os funcionários passaram por treinamentos?

Paula Giannetti: Não houve resistência, até porque conseguimos implementar. O que teve na verdade foram muitas dúvidas. Como é uma tecnologia ainda desconhecida, gera uma certa preocupação quanto a possibilidade de se encontrar as pessoas com o perfil certo utilizando um modelo tão diferente de seleção.

LG Sistemas:  De que forma essa tecnologia otimizou as contratações do Grupo Votorantim?

Paula Giannetti: Nós da área de RH, sempre buscamos profissionais de uma forma tradicional.  Eu divulgo minha vaga, os profissionais interessados se inscrevem e eu faço os processos tradicionais de triagem, avaliação, teste, dinâmica etc. Converso com essas pessoas em uma entrevista e encontro um candidato. Esses processos tomam um tempo bastante longo, são caros e também cansativos para os candidatos.

No caso da Big Data, existe um custo também alto, porque eu tenho que dispor de ferramentas e consultorias para encontrar essas pessoas nas redes sociais. Por isso, o desafio é: será que podemos utilizar essas ferramentas, que analisam as redes, ou que conseguem mapear as pessoas, para fazermos isso de uma forma mais rápida, barata e menos cansativa para os candidatos? E que além de tudo isso, consiga trazer um conhecimento que vai além do currículo? No processo tradicional de recrutamento, nós contratamos a ideia do que a pessoa é, pela sua formação e através de suas certificações, que comprovam sua experiência.

Mas, todas as empresas buscam o alinhamento cultural, que são os comportamentos, crenças e valores, que possam se adequar a cultura da organiação. E isso, é uma tendência cada vez mais forte quando se fala em recursos humanos. Hoje, as pessoas se vinculam não só às propostas, mas se vinculam, principalmente, aos valores que as organizações têm. E, não existe uma ferramenta que avalie isso no modelo tradicional do currículo.

LG Sistemas: Já é possível mensurar resultados? Se sim, quais os benefícios que o uso do Big Data trouxe para a empresa?

Paula Giannetti: No programa de trainee, nós contratamos duas empresas para fazer o mapeamento de pessoas, sendo uma no meio virtual e outra presencial. Essas consultorias vieram na organização, conheceram o ambiente, a cultura, o esquema de trabalho, horários e as características das pessoas que trabalham na Votorantim. Depois disso, essas empresas trouxeram nomes de profissionais que possuem essas características.

Então, essas pessoas foram convidadas a fazer algo que chamamos de inventário de crenças, que não chega a ser um teste porque não tem caráter eliminatório, mas são situações do dia a dia onde as pessoas dizem como é que elas tomariam uma decisão. E baseado nisso,  conseguimos ver o quanto cada profissional está alinhado a forma como nós tomamos nossas decisões ou com o que nós acreditamos ser importante considerar ao tomar uma decisão. 

Depois que passamos a usar essa metodologia, do ano passado para cá, tivemos 55% de contratações que possuem uma aderência altíssima a visão da empresa. Não fizemos processos tradicionais, não utilizamos critérios tradicionais e temos encontrado pessoas muito mais alinhadas a cultura da organização. Mas será que essas pessoas tem o perfil de trainees? A partir daí, começamos a usar os recursos rotineiros, como a aplicação de testes.

LG Sistemas: Além de apoiar o recrutamento e seleção de novos talentos, você acredita que o Big Data pode ser utilizado em outras áreas do RH? Se sim, quais você citaria?


Paula Giannetti: Ela é útil para várias finalidades dentro de Recursos Humanos e acho que a mais óbvia é para recrutamento e seleção. Mas, vejo outras possibilidades. Por exemplo, se existisse uma ferramenta que te permitisse conhecer não só o que essa pessoa faz na função dela, mas também a experiência dela em outras áreas, como seus hobbies, poderíamos aproveitar muito mais o capital intelectual dela e do que ela tem a contribuir para a organização.

Eu acho que a Big Data pode ser muito útil para tantos outros processos de Recursos Humanos, talvez ainda não tenha a tecnologia adequada. Entretanto, estamos em ondas de implementações, de intercâmbio, primeiro tentamos fora, depois começamos aqui dentro e vamos vendo o uso disso dentro das organizações em um processo de evolução natural.

LG Sistemas: Como você vê o uso do Big Data pela a área de Gestão de Pessoas nos próximos anos?

Paula Gianetti: Acho que ela só tende a aumentar. E uma das opções de uso é, justamente, na questão de alocação interna para aumentar o engajamento dos funcionários e ter um melhor conhecimento interno. Inclusive, pode ser útil no que de fato são pontos de retenção. Como as pessoas são retidas? Que benefícios são úteis ou não? Como eu customizo essa abordagem com essas pessoas? Para chegar nesse nível, creio que ainda temos muita coisa pela frente, porque temos muitas limitações que a própria CLT, o ambiente organizacional e os sindicatos ainda colocam como barreiras. Acho que eles não evoluíram nas mesma velocidade que a tecnologia está evoluindo. Mas acho que no futuro a gente pode ter um cuidado e um relacionamento muito mais individualizado e customizado com as pessoas dentro e fora da organização.

 


Big Data: a tecnologia a serviço do RHPaula Giannetti é Gerente Geral de Captação e Desenvolvimento da Votorantim Cimentos. É formada em psicologia pela PUC-SP, com especialização em gestão de Recursos Humanos pela FGV-SP e MBA empresarial pela Fundação Dom Cabral.Executiva com mais de 14 anos de experiência em RH, tendo passado por empresas como Unilever, Banco Real ABN AMRO, Santander e Lenovo.

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