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Boa liderança requer autocontrole

Mercado
29/06/2015

*Por Heloísa Capelas

Mesmo nas piores circunstâncias, é o autocontrole que mantém líderes equilibrados. Ou seja, ter a capacidade de se conhecer e mudar suas atitudes de dentro para fora e consequentemente mudar hábitos que têm efeitos negativos. Agora, se você apenas se controla e se reprime para ouvir o feedback do outro sobre seu costume de atropelar as pessoas, apenas fingindo ter paciência, corre o risco mesmo de perdê-la e explodir. Está tentando se controlar apenas para se conter e não pensando em como modificar sua atitude.

Um estudo publicado pela Associação de Ciência Psicológica do Reino Unido analisou um período de recessão da década de 1980, que mostrou que os adultos que foram crianças com pouco autocontrole perderam mais empregos do que o outro grupo e demoraram mais tempo para conseguir se reinserir no mercado de trabalho. Diversas razões para isso foram apontadas pelos pesquisadores, como maior vulnerabilidade a estresse por estar desempregado e maior probabilidade de sucumbir a hábitos que impedem que a pessoa seja reempregada.

O autocontrole precisa sim ser trabalhado desde a infância, a partir do momento que os pais educam seus filhos e os ensinam a lidar com as diferentes emoções, mas pode e deve ser praticado durante a fase a adulta. No momento em que a pessoa assume a responsabilidade por si mesma e tem a vontade e a intenção clara de avançar, ela vai saber controlar aquela maneira de agir, especialmente a negativa. Isso é autocontrole, que só beneficia o profissional, líder ou não, que precisa lidar com inúmeros desafios: crise, desemprego e competição, sem perder o equilíbrio.

O equilíbrio está ligado à presença, à segurança e à conexão de você consigo mesmo, com consciência de que aquele comportamento lhe é negativo, e contra si próprio. Quem precisa se controlar para evitar uma atitude – seja direcionada a si mesmo ou ao outro – geralmente é alguém que não tem ainda real consciência sobre como aquele comportamento atua em sua vida, ou seja, o que está por detrás dele. 

Existem diversos caminhos de autoconhecimento que ajudam a pessoa a treinar essa mudança e equilíbrio. O primeiro, parece óbvio, mas é pouco praticado: a auto-observação. Encare-se, elimine suas próprias autocríticas, autodefesas, vitimização, argumentos ou qualquer coisa que perceba que está trazendo para se justificar e pergunte: o que tira a sua paciência? O que dispara a sua irritação, sua grosseria e seus impulsos de agressividade? E por que ou como isso te afeta? Se você fica impaciente quando alguém não acompanha seu raciocínio, por exemplo. Como aprendeu a reagir diante de pessoas que não acompanham o raciocínio? 

A partir dessa reflexão, você perceberá que seu comportamento inconsciente, aprendido em algum momento do passado, continua a comandar sua vida sempre que tal situação se repete. E, então, se assim desejar, com a consciência disso, terá a chance de praticar uma nova forma de lidar com essa situação sem recorrer aos impulsos que tinha antes.

O processo que leva ao equilíbrio emocional e ao autocontrole, quero lembrar, requer essencialmente que conheçamos nossos próprios limites. Você precisa saber o que lhe faz bem, o que não faz, e o quanto disso ou daquilo traz satisfação pessoal, bem como a partir de que ponto se torna prejudicial. 

Assumir um novo comportamento necessita de treino e repetição. Este simples passo abre possibilidades de consciência, mas é “somente” a partir dela que a real mudança acontece. 
 
Heloísa Capelas é autora do livro recém-lançado, o Mapa da Felicidade. Especialista em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, atua no desenvolvimento do potencial humano há cerca de 30 anos.

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