Huma

Chefe ideal

Mercado
03/12/2013

Os empresários José Gomes da Silva Neto, Henrique Soares Adão e Fábio Santos trabalham em áreas diferentes, mas têm um traço importante em comum. Conseguiram atingir metas de negócios nos seus empreendimentos, nos setores de material de construção, franquias e segurança automotiva, respectivamente, graças à forma como lideram suas equipes. Segundo eles, o chefe ideal deve incentivar a criatividade dos funcionários, estar aberto a novas ideias e conhecer bem seus liderados. Para especialistas em recursos humanos, características como autoconfiança, boa comunicação e competência técnica também são ingredientes indispensáveis na formação de um líder.

"O comandante de sucesso é aquele que aplica um estilo singular de trabalho e obtém resultados", diz João Baptista Brandão, coordenador do curso de liderança e gestão de pessoas da Fundação Getulio Vargas (FGV). "Nos pequenos negócios, ele tem uma visibilidade intensa. E inspirar confiança entre os subordinados será vital para a empresa." Segundo o especialista, um dos maiores desafios dos gestores é manter a equipe envolvida com os objetivos do empreendimento. Para isso, é possível criar recompensas, como programas de remuneração variável, oferecer treinamentos ou mesmo sociedade.

Na Vesta, de fabricação de portas e janelas, a receita de gestão de José Gomes da Silva Neto foi brecar a desmotivação entre os funcionários. "Assegurei investimentos em treinamentos para que a empresa fosse autossuficiente, sem depender de um único gestor para as pequenas decisões", diz. "Hoje, a produtividade é 40% maior que a da concorrência, com um número menor de empregados."

A companhia, há apenas um ano e meio no mercado, tem 25 colaboradores e capacidade para produzir duas mil esquadrias ao mês, em um turno de trabalho. O primeiro ano de faturamento deve render R$ 7 milhões e há previsão de fornecer material para 80 obras, nos próximos meses.

"Como líder, tenho de estar atento às mudanças de mercado, às novas tecnologias e criar ações que tragam felicidade aos funcionários", diz Silva Neto, formado em engenharia mecânica e de produção, com curso de manufatura em Harvard, nos EUA.

De acordo com Tárcio Lopes, representante da Dale Carnegie Training no Brasil, consultoria que ajuda profissionais a melhorar competências de liderança, os empresários devem cultivar a autoconfiança e a capacidade de lidar com pessoas. "É necessário delegar, dar feedbacks, vender ideias, orientar e conduzir reuniões", diz. "A comunicação será o 'cimento' que vai ligar as equipes aos processos de trabalho. Ser claro e persuasivo é essencial para obter resultados."

Independentemente do tamanho da empresa, o chefe deve ajudar os liderados a desenvolver capacidades e alcançar metas por meio do estímulo. Pesquisa da Dale Carnegie indica que 53% dos empregados engajados dizem que aprendem muito com os superiores diretos. Segundo Lopes, os treinamentos em gestão também preparam os líderes para novas empreitadas.

Foi o que fez Henrique Soares Adão, diretor-presidente da HSA Franchising, controladora da rede de franquias de limpeza Mr. Limp, de Ribeirão Preto (SP). O executivo cursou uma faculdade de recursos humanos, com ênfase em desenvolvimento profissional, além de cursos sobre gestão de conflitos, negociação e planejamento.

Antes de entrar no ramo de franquias, Adão foi executivo de carreira, com passagens pelas Lojas Americanas e Cacau Show. No ano passado, junto com o sócio Luiz Carlos Serafim, identificou uma carência no mercado de construção civil: a limpeza pós-obra. Decidiram formatar o negócio no modelo de franquias, com um investimento inicial de R$ 18 mil, adquiridos via empréstimo bancário.

Agora, no dia a dia da empresa, Adão diz que participa dos detalhes de cada operação, mas sai de cena, na hora certa, para que a equipe tenha fôlego para trabalhar. "Busco a valorização e a participação dos funcionários, com uma revisão contínua de resultados e práticas de reconhecimento", diz.

Em pouco mais de um ano, a franquia que criou coleciona 110 unidades e tem 80 pontos para inaugurar, nos próximos meses. A meta é chegar a 500 lojas em 2014 e lançar três marcas de micro franquias nos próximos três anos. "Para conduzir uma organização em crescimento, as maiores dificuldades são contratar mão de obra qualificada, delegar tarefas e não ser centralizador", diz Adão. "É preciso ainda dar atenção a várias frentes ao mesmo tempo - vendas, financeiro e ações de expansão."

Almir Zampolo, coordenador do curso de pós-graduação em gestão estratégica de pessoas do Centro Universitário Senac, afirma que a competência técnica também é parte indispensável na construção da liderança. "Antes de ocupar um cargo de comando, deve-se ter alguma experiência na atividade a ser realizada. Os seguidores sentem-se seguros quando o líder demonstra saber o que está fazendo."

"O líder precisa conhecer o seu staff profundamente para extrair, de cada colaborador, qualidades que ajudem a aumentar a produtividade da empresa", diz Fábio Santos, que criou em 2009 ao lado de Benedito Jesus Curto, a Ser Glass, de blindagem de veículos. Hoje, a empresa de São Bernardo do Campo (SP) tem 170 empregados e atende mais de 50 empresas. Deve fechar 2013 com R$ 30 milhões de faturamento.



*Essa notícia foi publicada no site Valor Econômico, em 29/11/2013

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