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Como evitar que o colaborador sofra de depressão pós-férias

Mercado
02/02/2011

LG: Qual a importância do período de férias para o colaborador?

Christian: O período de férias é vital para qualquer colaborador, porque é o momento de relaxar, equilibrar, aumentar o nível de produtividade e o foco. O relaxamento proporcionado por esse momento de ócio é importante tanto para o corpo e mente e como também para a produtividade do colaborador. As pessoas não devem trabalhar três anos sem tirar férias, porque isso prejudica o ritmo produtivo.

LG: Como esse período de descanso interfere no rendimento e na qualidade do trabalho desse funcionário?

Christian: As férias só interferem no trabalho se forem mal tiradas. Por exemplo, não é recomendável que um funcionário tire 30 dias seguidos, porque ele fica muito tempo distante da empresa, se desconecta e, quando volta, fica mais difícil manter seu ritmo produtivo. Às vezes é mais eficiente tirar dois períodos, como a lei permite, ou, em caso de empresas mais flexíveis, tirar quatro períodos de cinco ou seis dias. Isso faz com que o colaborador tenha mais momentos de equilíbrio ao longo do ano, além de evitar que o profissional fique muito tempo distante das suas atividades do trabalho.

LG: Alguns artigos recentes falam do medo dos profissionais de tirar férias (medo de perder o emprego, medo do gestor “não sentir falta” do trabalho da pessoa). Em sua opinião, porque isso acontece? Como o RH pode ajudar nesses casos?

Christian: Isso acontece porque eles têm medo de que seu gestor descubra as besteiras que ele pode ter feito no trabalho ou mesmo que notem que seu trabalho não é mais tão necessário. Em minha opinião, não precisa ser assim. Nós temos que entender, em primeiro lugar, que ninguém é insubstituível e que as férias são essenciais para as pessoas aumentarem sua produtividade. Sendo assim, fazendo um bom trabalho, com um bom planejamento, o funcionário deve tirar férias, sem medo. E, se a empresa não puder ficar 10 ou 15 dias sem esse colaborador, ele se torna o pior tipo de profissional: estressado, que não consegue se desligar e que tem tudo centralizado em seu próprio umbigo.

Cabe ao RH incentivar esse período de férias e fazer um trabalho de comunicação com os gestores, visando que a empresa consiga oferecer férias aos seus funcionários. A empresa tem que estimular o gestor a dar férias e o RH tem que disseminar esse pensamento, afinal, ele tem papel fundamental na qualidade de vida do colaborador.

LG: Como organizar o tempo pré e pós-férias de forma a cumprir todos os compromissos e atividades?

Christian: Algumas dicas são:

1. Revise o que está pendente. Cerca de um mês antes, comece a copiar quem irá ficar responsável por suas tarefas nos e-mails. Deixe as orientações claras e faça um resumo do que precisa ser feito de acordo com as possíveis variáveis.
2. Liste os procedimentos rotineiros que precisam ser feitos: um passo a passo da atividade para que o substituto consiga trabalhar sem precisar ligar para quem está em férias.
3. Faça um resumo de tudo que foi feito na sua ausência e, a partir disso, comece a planejar a primeira semana de trabalho.
4. Defina as prioridades (atividades que não foram executadas no período ou novas demandas).
5. Essa primeira semana precisa ser mais light. Não programe o dia todo nessa semana. Como haverá muitas coisas pendentes, planeje apenas três ou quatro horas do seu dia para que você possa ter mais tempo para entrevistas, reuniões e até mesmo para pegar o ritmo novamente.
6. Procure se motivar. Novos projetos e novos desafios podem ajudar a ter a mesma produtividade de antes.

LG: E a chamada “depressão pós-férias”? O que causa esse sentimento no colaborador?

Christian: Esse sentimento existe por vários fatores: por ter acabado as férias e estar desconectado do trabalho ou mesmo por sentir que o próprio trabalho já não traz felicidade. Para evitar esse momento, sugiro que se evitem coisas bruscas como voltar de viagem no domingo e já trabalhar na segunda. O ideal é voltar na sexta-feira e aproveitar o fim de semana pra fazer algumas coisas em casa, voltar a ver o e-mail para já ir se ambientando e assim, na segunda-feira, já estar de volta à realidade.

LG: Como o colaborador pode evitar esse sentimento? O RH da empresa pode ajudar nesse processo?

Christian: A depressão pós-férias deve ser tratada da mesma forma que o presenteísmo. O RH deve entender que esse colaborador está com um problema, sofrendo com esse tipo de impacto na sua produtividade diária e, a partir daí, tomar alguma providência. Algumas sugestões são negociar as horas nos primeiros dias de trabalho, tentar diminuir a carga horária do colaborador ou mesmo fazer um job rotation. Enfim, o que não se pode é ignorar a situação.

Christian Barbosa, especialista em administração de tempo e produtividade, é fundador da Triad PS, empresa multinacional especializada em programas e consultoria na área de produtividade, colaboração e administração do tempo. É autor dos livros “A Tríade do Tempo", "Você, Dona do Seu Tempo”, “Estou em Reunião” e co-autor de “Mais Tempo, Mais Dinheiro”.

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