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Conhecer valores do empregador pode impulsionar a carreira

Mercado
16/09/2014

Mesmo sem nenhuma experiência, um profissional sorridente e entusiasmado tem grandes chances de conseguir um emprego na rede de hamburguerias Johnny Rockets, multinacional em operação no Brasil desde o fim do ano passado.

Servir entusiasticamente os clientes é um dos principais pontos do posicionamento institucional da companhia. Está descrito no site da empresa, norteia as seleções e os treinamentos dos colaboradores. “Precisamos que as pessoas tenham alegria de trabalhar, porque vendemos entretenimento, e não apenas hambúrgueres”, diz diretor de operações no Johnny Rockets Brasil, Alan Torres.

A experiência de comer uma das lojas da empresa no País envolve, de fato, uma proposta de diversão: além de todos os clientes serem recebidos com um vigoroso “olá” por parte do pessoal no salão, todos os funcionários reservam, de tempos em tempos, um tempo para dançar entre as mesas, acompanhando músicas norte-americanas de meados do século passado.

“As pessoas que vão trabalhar conosco têm de entender a nossa cultura. Na integração (que dura 25 dias, em média), essas questões são muito ressaltadas”, diz o master franqueado da empresa no Brasil, Antonio Augusto Ribeiro de Souza.

Hoje com cinco lojas no País, o Johnny Rockets está em um agressivo movimento de expansão. Em 18 anos, a expectativa da companhia é ter 150 lojas por aqui, por isso ela não pode sofrer com a alta rotatividade. “Para se ter um lugar em que as pessoas têm de dançar e sorrir, elas precisam ser bem tratadas”, diz Torres. Entre os benefícios oferecidos para os funcionários estão um plano de carreira, assistência médica e odontológica, alimentação e seguro de vida, além do salário e das rendas extras decorrentes de venda.

Evidentes, como são no caso da hamburgueria, ou bem mais discretos, a missão, a visão e os valores de uma organização servem para guiar todos os seus passos. Conhecer esses traços da cultura das companhias é um importante aliado para trabalhadores em busca de crescimento e realização profissional, na opinião de especialistas em carreira. E o segredo do sucesso, segundo eles, está sediado no terreno da identificação.

Para o diretor de educação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH – Nacional), Luiz Edmundo Rosa, os profissionais devem saber claramente, antes de mais nada, quais são a missão, a visão e os valores que os guiam na vida. “Escolha o seu mercado e busque quais empresas são compatíveis com o que quer. As pessoas mais bem preparadas selecionam os empregadores”, diz.

Feito isso, a hora é de buscar referências. Na seção institucional dos sites, as principais empresas divulgam suas missões, seus objetivos e os seus balizadores éticos, informações que servem como um bom ponto de partida para entendê-las – isso quando os dados são coerentes com a realidade.

“Uma empresa que se diz transparente tem de ser transparente em tudo, inclusive no processo seletivo. Na entrevista, preste atenção em como é recebido”, diz a diretora de gestão de carreiras e talentos da consultoria Right Management, Simone Leon.

Desafio

O grande desafio no mundo corporativo está, segundo ela, justamente em entender quais são os traços implícitos das culturas empresariais, descritas nos comportamentos, nos rituais entre as equipes e nas decisões dos gestores.

Com objetivos de esclarecimento, Simone sugere que os profissionais utilizem as informações dadas pelas empresas como base para comparações. “Olhe projetos sociais da empresa, veja onde ela direciona esforços, veja que movimentos ela está fazendo no mercado, se está em um processo de expansão ou de fusão, por exemplo.”

A consultora Fátima Motta, também professora dos cursos de MBA da ESPM ), diz que os profissionais podem buscar referências em conversas com funcionários das empresas de interesse, em sites que registram reclamações de consumidores e até nas entrevistas de emprego. “O candidato pode perguntar como é o clima entre os funcionários, quais são os motivos para promoções ou desligamentos e até questionar como as empresas realizam o que dizem querer.”

A conexão entre os objetivos pessoais dos profissionais e os das companhias é importante, na opinião de Fátima, porque interferem no engajamento e até na felicidade dos trabalhadores. “Se há conexão, existe prazer, comprometimento e resultados positivos. Acho que seria fantástico se a pessoa colocasse a sua missão, visão e valores pessoais no seu currículo. O problema é que muita gente não sabe dizer quais são seus objetivos.”

Seleção

Do lado das empresas, a identificação é muito valorizada. Segundo a gerente de comunicação e marketing da recrutadora Hays, Mariana Scwharz, os selecionadores analisam, por meio do histórico de ex-empregadores, qual é o perfil de atuação dos candidatos e, eventualmente, propõem problemas, para avaliar quais seriam as posturas do executivo.

“Temos de ver também qual é o momento de vida da pessoa. Uma mulher pode ser agressiva em busca de resultados e ter se dedicado muito ao trabalho, mas, em certa idade, quer ser mãe e terá outras prioridades.”


Essa notícia foi publicada no site Estadão, em 13/09/2014

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