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Cresce o número de mulheres diretoras na área de finanças

Mercado
13/02/2013

O número de mulheres no cargo de CFO aumentou 35% nas grandes empresas americanas no ano passado, o que coloca finalmente mais executivas mulheres no topo da hierarquia das companhias do país após décadas de crescimento lento.

Havia 54 mulheres atuando como diretoras da área de finanças nas 500 companhias do índice da Standard & Poor no mês passado, e apenas 40 um ano antes, de acordo com dados compilados pelo "Bloomberg Rankings". Apesar de homens ainda serem 90% dos CFOs desse grupo de empresas, o crescimento mostra progresso para gestoras mulheres em uma época de poucas mudanças quando o assunto é a participação feminina no nível executivo.

Mulheres são agora responsáveis pelas finanças em empresas renomadas como o banco J.P. Morgan Chase, a rede de jornais Gannett e a Time Warner Cable. A tendência aparece em um momento em que o trabalho do CFO em si está se tornando mais crítico. Desde a Lei Sarbanes-Oxley, de 2002, as empresas precisaram ser mais transparentes em relação às suas finanças, colocando assim os CFOs em destaque e mais próximos dos executivos-chefes.

"Não se trata mais de um antiquado trabalho de contabilidade", diz Matt McGreal, responsável pelas práticas de governança corporativa na empresa de recrutamento executivo Crist/Kolder Associates. "O CFO hoje é um dos poucos diretores que precisam ter uma visão geral da organização inteira", afirma.

CFOs tipicamente têm experiência nas áreas de contabilidade, gestão de risco e tesouraria - papéis onde o desempenho pode ser medido em números, diz Ann Marie Petach, diretora financeira na gestora BlackRock. Isso foi favorável às mulheres, ajudando-as a ganhar promoções quando mostram competência, diz. "Acredito que mulheres se saem melhor em meritocracias verdadeiras."

Ainda assim, chegar à presidência das empresas continua difícil. Apenas 21 dos CEOs nas 500 empresas da lista da S&P são mulheres - um número que pouco mudou nos últimos cinco anos. Chegar ao topo da empresa geralmente exige experiência no comando de outro negócio ou, pelo menos, de uma grande divisão. Isso é uma barreira para as mulheres, embora algumas CFOs estejam chegando à posição com mais experiência. A CFO da Chevron, Patricia Yarrington, anteriormente foi presidente da Chevron no Canadá. Ela também serviu como tesoureira e vice-presidente de políticas governamentais para a empresa de energia, a segunda maior do setor nos EUA.

Atualmente, cerca de 15% dos CEOs das empresas na lista foram CFOs em algum momento da carreira, diz Joshua Wimberley, que lidera a unidade da Korn/Ferry International voltada para recrutamento de executivos de finanças. A CEO da Pepsico, Indra Nooyi, uma das líderes mulheres mais conhecidas, assumiu o cargo após mais de seis anos como diretora financeira. Antes, ela ocupou cargos estratégicos na ASEA Brown Boveri e na Motorola.

A CEO da Gannett, Gracia Martore, também subiu ao comando da empresa pela diretoria financeira. A CFO atual é outra mulher, Victoria Harker. "Atualmente, não é raro ver CFOs que tiveram experiência no comando de um negócio ou que adquiriram essa experiência depois de passar pela diretoria financeira", diz Wimberley.

Ao assumir mais posições de CFO, as mulheres estão avançando além das áreas onde geralmente têm sucesso, como campos menos analíticos - um movimento que é um bom sinal para chegar ao cargo de CEO, diz Ilene Lang, presidente da organização sem fins lucrativos Catalyst. "Não são papéis tradicionais como recursos humanos ou comunicação", diz Ilene. "Na última década, a posição de CFO se tornou um degrau para o escritório do CEO."

Ainda assim, o ritmo lento de avanço frustra algumas CFOs. Irene Esteves, diretora financeira da Time Warner Cable, diz que ela está desapontada por ainda não existirem muito mais mulheres com o mesmo título que ela. Quando se formou na faculdade em 1981, o movimento pelos direitos femininos já existia há bastante tempo. "Achei que quando eu me tornasse CFO de uma grande empresa, as mulheres formariam bem mais do que 10% desses cargos."

No geral, elas ocupavam 14% de todos os cargos executivos seniores no ano passado, de acordo com a Catalyst. A organização descobriu que 28% das empresas da Fortune 500 em 2013 não tinham nenhuma mulher em diretorias - um grupo que inclui a Apple, a Exxon Mobil e a Berkshire Hathaway. Karen McLoughlin, CFO da Cognizant Technology Solutions, atua como mentora para funcionárias por meio do programa Mulheres no Poder da empresa. "A questão para mim é: por que demora tanto? Há algo na organização que fica no caminho delas?".

Irene, da Time Warner Cable, trabalhou como CFO em muitas outras empresas menores antes de assumir a posição atual em 2011. Em um emprego anterior, ela teve que superar a relutância do chefe em mandá-la para o exterior, onde trabalharia com empresas que não estão acostumadas com executivas mulheres. Ela argumentou que uma mulher poderia tirar vantagem disso e foi bem-sucedida. "Disse que 'se eu vou ter que negociar em nome da empresa, não seria ótimo se a pessoa do outro lado não souber como lidar comigo?' Eles concordaram", conta.

Na Time Warner Cable, o CEO e COO passaram pelo cargo de CFO, o que mostra que há um caminho para avançar. O time de executivos de Irene também tem várias mulheres. "Foi bom chegar em uma organização onde já há mulheres na liderança sênior. Há uma boa diversidade aqui, que tende a aumentar", afirma.

Ela atribui uma parte do seu sucesso ao filho, que agora tem mais de 30 anos. Quando ainda era criança, ela já trabalhava longas horas e viajava ao redor do mundo. Em uma noite, quando voltou para casa, ouviu uma conversa que ele estava tendo com um amigo. "O colega disse 'você não acha que é horrível que sua mãe fica longe o tempo todo?' Ele ficou quieto e pensativo, e disse 'bem, eu não quero ser pobre'. É o jeito que ele teria respondido se a pergunta fosse sobre o pai dele", lembra.

 

*Essa notícia foi publicada no site Valor Econômico, em 13/2/2013

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