Huma

Delegue para si mesmo a conquista do sucesso

Mercado
29/09/2015

*Por Eduardo Zugaib

Todos que eu conheço gostariam de ganhar na loteria. As pessoas que você conhece também são assim? Pense um pouco nessa pergunta. Sonhar não custa nada, mesmo porque uma “Mega-Senazinha” acumulada em alguns milhões não faria mal a ninguém.

Porém, até quem acerta as seis dezenas, está sujeito a fatores que não pode controlar. Alguns “pouquinhos” que, se deixados de lado, podem transformar um sonho milionário em uma nuvem de vapor dissolvida pelo vento. Como aconteceu em2010, em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, quando diversos gaúchos experimentaram isso na pele. Na ocasião, todos compraram cotas de um desses “bolões” oferecidos pelas casas lotéricas e, para surpresa deles, no dia do sorteio, verificaram que as seis dezenas estavam lá entre as diversas outras combinações impressas no documento extraoficial oferecido pela lotérica como comprovante.

A felicidade durou apenas algumas horas. No dia seguinte ao sorteio, a Caixa Econômica Federal anunciou que o prêmio acumulara, pois ninguém havia ganhado. Confusos, os participantes do “bolão” foram logo cedo à lotérica, verificar o que havia acontecido, já que até o anúncio oficial do acúmulo pela Caixa, já haviam planejado como investiriam o dinheiro do prêmio – de aproximadamente um milhão de reais para cada participante. Tudo seria lindo, não fosse um detalhe: apesar daqueles números terem sido vendidos extraoficialmente, quem poderia imaginar que os volantes oficiais não tinham sido lançados no sistema? Simplesmente foram deixados de lado pelo(a) profissional responsável que, talvez exausto(a) na tarde de sexta-feira, acabou não fazendo o devido registro oficial. 

Resultado? Um pouquinho de ambição, que gerou um montão de comemoração. Porém, um pouquinho de distração, que gerou uma avalanche de frustração, inclusive para o dono da lotérica que teve seu estabelecimento fechado logo em seguida. Na ocasião, os lesados se reuniram e abriram uma ação judicial para ter direito ao prêmio, a qual, imagino, deva estar estacionada em alguma pilha de outros processos.

Agora, faço uma segunda pergunta: de todas as pessoas que você conhece, quantas efetivamente ganharam algum grande prêmio na loteria? Uma? Exageradamente duas, talvez? E todas as demais, como conquistaram ou estão conquistando aquilo que desejam? Elas permanecem delegando para esse improvável, porém não impossível dia, as condições necessárias para a construção da sua felicidade, ou na maior parte do tempo vão à luta?

Há um provérbio árabe que diz: “Peça a Deus para proteger seus camelos, mas não se esqueça de amarrá-los”. E alimentá-los, e vigiá-los. Camelos e ambições, nesse caso, têm tudo a ver.
Quando delegamos para o acaso as chances que temos de sermos felizes, seja o acaso do tempo ou do espaço, nós mais afastamos que atraímos possibilidades. Como uma Alice, perdida no País das Maravilhas, a todo instante nos deparamos com encruzilhadas confusas, onde sempre vamos topar com o questionamento:

– Aonde você pretende chegar? 

Se respondermos a essa questão com um “não sei”, a réplica é instantânea:

– Então, qualquer caminho serve para você!

Estamos falando aqui do nosso ponto B, o lugar, ou estado, ou situação que desejamos atingir. Lembrando que o nosso ponto A, que é o nosso ponto de partida, contém aquilo que somos hoje, com nossas forças e fraquezas, sujeitas às oportunidades e ameaças que nos impactam diretamente.

O pouquinho de ambição que proponho a você é este: saber, ou se ainda não sabe, definir com clareza, com foco e com o máximo de tangibilidade, aquilo que você deseja para você. Não confunda ambição com ganância, pois enquanto a primeira vai fazê-lo operar mudanças a todo custo, com uma humildade lúcida do seu estado atual e com a consciência das metas que deverá atingir para chegar ao seu objetivo, a segunda, que é a ganância, o colocará num plano de ações empreendidas a qualquer custo, atropelando, puxando tapetes, inferiorizando ou destruindo aqueles que encontrar pelo caminho.

Quando você, já dentro de um elevador, não sabe o andar onde deve desembarcar, qualquer andar serve. O acaso pode até favorecer você, fazendo-o encontrar algo interessante por ali. Mas, assim como o bilhete de loteria, a proporção de acasos espetaculares é mínima.

É preciso retornar e começar novamente do zero. Conferir se é aquele prédio mesmo, definir o andar e, melhor ainda, saber o número da sala onde se pretende chegar, torna a conquista deste ponto B mais assertiva.

Quando não sabemos qual é o nosso destino, ou ao menos a parte dele que cabe ao nosso esforço percorrer, tanto faz ir de carro, de ônibus, a pé, de avião ou nadando. Saímos de um ponto A (nossa situação atual) difuso, distorcido e começamos a nos agitar a esmo, apostando que “um dia alguém vai me perceber, me ajudar, me dar uma oportunidade” e por aí vai. Escrevemos nossos propósitos em uma carta, que depois colocamos dentro de uma garrafa para, enfim, jogá-la ao mar. Se chegar, chegou. E aonde chegar, chegou. Quem pegar, pegou.

Um pouquinho de ambição também nos ajuda a evitar que a vida seja dirigida apenas pelo acaso. Aqui, a ambição traduz-se pela nossa visão de futuro, pela mobilização e ações que empreendemos em direção aos nossos objetivos e, principalmente, pela medição de resultados. Quando abrimos mão disso e deixamos apenas o acaso tomar conta das coisas, o tempo e a natureza cuidarão destes processos do jeito deles. Ou seja: até chegaremos a algum lugar, só não dá para saber qual lugar será esse e o que nos espera quando chegarmos lá.

Esse casuísmo da vida comprova que apenas desejar não basta. Assim como fazemos com boa parte de nossas necessidades nos momentos de privação, é preciso saber transformar também os nossos desejos em atitudes concretas, em construção, em caminhada contínua. Estabelecer ou descobrir um propósito maior para nossas vidas, quantificá-lo em um objetivo relevante e dividir esse objetivo em metas reais e alcançáveis, torna a nossa ambição um exercício sustentável de crescimento pessoal e profissional.

Saber onde se quer chegar, visualizando a cada novo dia o tanto de caminho percorrido, é a atitude que, aos pouquinhos, transforma nossa vida e o nosso tempo em apostas mais acertadas nessa grande loteria que é a vida.

Enquanto cuida desse pouquinho chamado “ambição”, recomendo que você continue apostando na loteria. Vai que…

*Eduardo Zugaib é escritor, profissional de comunicação e marketing, professor de pós-graduação, palestrante motivacional e comportamental. Ministra treinamentos nas áreas de Desenvolvimento Humano e Performance Organizacional. 

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