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Empresas adotam 'terapia interna' para treinar funcionários

Mercado
15/01/2013

Em voga no mundo corporativo, o conceito de "coaching" é uma espécie de terapia para a carreira, na qual o executivo vai a sessões com um consultor externo para discutir a vida profissional. Agora, como alternativa, organizações têm usado "coaches" (treinadores) internos.

São profissionais de recursos humanos e executivos da própria empresa treinados para ajudar outros funcionários a desenvolver a carreira e a melhorar o desempenho.

A Unilever é uma das empresas que implementaram a prática de "coaching" interno entre seus funcionários. Em 2011, Marcelo Costa, um dos diretores da organização, foi "coach" da gerente Fernanda Abraão.

Os dois tinham reuniões mensais -presenciais e por telefone- para discutir dúvidas profissionais de Abraão e seu desenvolvimento na carreira. Segundo ela, a participação no programa não era obrigatória, mas a aderência foi alta.

"Tivemos a liberdade de escolher quem seria nosso 'coach', de acordo com critérios como experiência e admiração", conta.

"O 'coach', nesse caso, não é uma pessoa neutra, mas consegue dar indicações de caminhos a seguir justamente por conhecer bem a realidade e as possibilidades da empresa", afirma Abraão.

Ela afirma ter aprendido a gerenciar pessoas e a delegar melhor as atividades, habilidades que aplica diariamente. Ainda que a prática oficial, com duração de um ano, tenha acabado, Abraão diz sentir-se à vontade para procurar o mentor para tirar dúvidas profissionais até hoje.

Segundo Jaqueline Weigel, diretora da Integração Escola de Negócios, a modalidade é uma ferramenta poderosa e preenche uma lacuna dos líderes no desenvolvimento e na motivação de pessoas. Ela afirma que a prática "é uma tendência forte entre as empresas em 2013".

"Enquanto o setor de recursos humanos costuma dar medidas e soluções, o 'coaching' interno vai além: faz o profissional se desenvolver e achar outras formas de funcionar dentro da empresa."

O funcionário é quem mais se beneficia com a prática, segundo Weigel. "Ele ganha em planos para desenvolver a própria carreira, tem uma oportunidade de aprendizado e suporte de alguém dentro da corporação", afirma.

Ela destaca que a metodologia tem restrições: não costuma funcionar, por exemplo, para alta gerência, "porque há conflito de interesses".

Novos caminhos


Empresas como o banco Bradesco, o grupo Andrade Gutierrez e as Lojas Renner também já utilizaram o sistema de "coaching" interno entre os funcionários.

Stella Oliveira, que foi coordenadora da área de recursos humanos de uma rede de vestuário, conta que a maior dificuldade ao iniciar o processo foi a quebra de paradigmas. "Os profissionais do RH que se tornaram 'coaches' deixaram de entregar soluções prontas para os problemas dos funcionários e passaram a instigá-los a encontrar estratégias por si só."

Oliveira conta ainda que o programa foi importante para ajudar os funcionários a definir intenções na carreira, que muitas vezes não estavam claras.

A gestora, que atualmente coordena a área de recursos humanos do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), diz que, na instituição, também há estudos sobre desenvolvimento de liderança e projetos que incluem a aplicação de processos de "coaching" interno no futuro.

Para Hélio Castro, sócio da Horton International, empresa especializada em seleção de executivos e "coaching", o principal benefício do processo é que o responsável pelo treinamento conhece bem o ambiente e a cultura da empresa. "Ele sabe orientar o funcionário sobre o que pode agregar à experiência na organização."

Castro lembra, porém, que confidencialidade é um fator-chave. "As informações compartilhadas na conversa entre 'coach' e funcionário não devem ser usadas fora dali."

O ideal, segundo o especialista, é que a prática feita internamente não substitua o "coaching" externo.

"Enquanto o mentor de dentro da empresa pode ser uma espécie de modelo que ajuda a desenvolver a carreira dos funcionários, o consultor externo passa uma visão mais ampla do mercado."

 

*Essa notícia foi publicada no site Folha de São Paulo, em 13/1/2013

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