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Empresas apostam em benefícios de saúde para reter talentos

Mercado
26/10/2015

Os salários ainda estão estagnados, mas os empregadores encontraram uma nova forma de ajudar a atrair e reter funcionários: benefícios de saúde.

Ter um bom plano de saúde se tornou mais vital do que nunca na hora da contratação, segundo uma pesquisa recente da Sociedade de Gestão de Recursos Humanos (SHRM, na sigla em inglês).

Segundo o estudo, as empresas em geral estão se apoiando nos benefícios para seduzir funcionários atuais e potenciais.

Dos 460 profissionais de recursos humanos que participaram da pesquisa, 33 por cento disseram que suas organizações utilizaram benefícios de algum tipo no ano passado -- de licenças remuneradas a programas de bem-estar -- para evitar que funcionários de todos os níveis deixassem a empresa.

Isso revela um aumento em relação aos 18 por cento, apenas, que apostavam nos benefícios como forma de reter talentos em 2012.

De todas as regalias, contudo, os benefícios de saúde foram de longe os mais frequentemente usados para a retenção de funcionários.

No total, 80 por cento dos profissionais de RH que participaram da pesquisa citaram benefícios de saúde, mais do que aposentadoria e férias, como uma forma de reter talentos, contra 58 por cento em 2012.

“Existem caminhos e combinações que os empregadores podem utilizar para tornar seus planos de saúde mais atraentes”, disse Evren Esen, diretor dos programas de pesquisa da SHRM.

“Uma empresa pode oferecer cobertura de saúde, mas essa cobertura pode não ser a melhor. Ela pode não incluir certos tipos de benefícios, como cirurgia Lasik ou bariátrica”.

Além de cobrir serviços médicos de alto custo, como tratamentos de fertilidade e congelamento de óvulos, algumas empresas oferecem uma variedade de planos de saúde que um grupo mais amplo de trabalhadores considera mais atrativo. Se o pacote de benefícios inclui uma conta-poupança em saúde, por exemplo, um empregador poderia injetar algum dinheiro inicial para impulsionar o fundo.

Alguns empregadores também podem cobrir uma parcela maior da contribuição do funcionário para o benefício, disse Esen. Os empregadores arcam, em média, com cerca de 76 por cento do custo dos prêmios do plano de saúde, segundo a pesquisa da SHRM.

Essa proporção bate com os dados das conclusões da Fundação Família Kaiser em sua Pesquisa de Benefícios de Saúde do Empregador de 2015, que pontuou que os trabalhadores contribuem, em média, com apenas 18 por cento do prêmio nas coberturas individuais e com 29 por cento do prêmio no caso das coberturas familiares -- um número que não mudou estatisticamente de 2010 para cá.

Os benefícios de saúde foram de longe os mais frequentemente usados para a retenção de funcionários.

Mudança à vista

As coisas poderiam mudar em breve. Os empregadores gostariam de limitar os custos com saúde, que subiram tanto para os funcionários quanto para os empregadores nos últimos 10 anos.

Os prêmios totais aumentaram 61 por cento, segundo Kaiser, e os funcionários estão arcando com uma porcentagem cada vez maior dessa conta. Os participantes da pesquisa da SHRM acreditam que os funcionários pagarão mais da metade do prêmio em um futuro próximo. Contudo, como a retenção de talentos é o problema número 1 enfrentado pelas empresas, segundo outra pesquisa da SHRM, os empregadores não podem transferir uma parcela muito grande do encargo financeiro para seus funcionários.

“Os empregadores sabem que o plano de saúde é algo muito importante para os funcionários, mas os custos estão tornando muito difícil para os empregadores continuar oferecendo planos de saúde como antes”, disse Esen. “Eles estão entre a cruz e a espada”.

Contudo, a cobertura de saúde enquanto benefício não vai deixar de existir tão cedo. Apesar das previsões de que os intercâmbios criados pela Lei de Proteção e Cuidado ao Paciente, dos EUA, acabarão com a era da saúde paga pelo empregador, a maior parte dos empregadores não descartou o benefício.

“Isso seria chocante demais para os funcionários. Eles estão nessa relação com seus empregadores há muito tempo no quesito saúde”, disse Esen. “Talvez mais empresas esperassem passar para um tipo diferente de sistema e estão vendo que isso realmente não é possível no momento”.

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Essa notícia foi publicada no site da Revista Exame, em 21/10/2015

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