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Empresas tentam elevar produtividade do brasileiro, que está estagnada

Mercado
07/10/2013

A produtividade do trabalhador brasileiro tem crescido a taxas menores do que o PIB per capita, segundo dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

O PIB per capita -ou seja, total de riquezas dividido pela população brasileira- subiu 29,4% entre 2000 e 2012. Já a produtividade média do trabalhador (relação entre o PIB e a população ocupada no país) subiu 19% no mesmo período.

De acordo com Fernanda De Negri, a economista responsável pelo estudo, o fato de os trabalhadores brasileiros produzirem pouco limita o crescimento do país.

Em algum momento essas taxas irão convergir, ela afirma -na pior das hipóteses, com o PIB per capita parando de crescer; na melhor, com aumento do rendimento dos profissionais. "A produtividade brasileira está relativamente estagnada desde o fim dos anos 1970", diz.

Em visita ao Brasil em julho, o economista José Alexandre Scheinkman, da Universidade Columbia, veio dar uma palestra sobre o tema. Em entrevista à Folha na ocasião, afirmou que, nos EUA, o foco do estudo hoje é entender por que "duas firmas da mesma indústria, usando trabalhadores com o mesmo nível de educação (...) produzem quantidades diferentes".

No Brasil, há empresas que se mexem para fazer com que os funcionários rendam mais.

A Linx, que desenvolve softwares de gestão para o varejo, decidiu fazer um concurso para que os profissionais criem projetos para tornar o trabalho deles mais produtivo. Henry Giocondo da Silva, 24, um desenvolvedor, está concorrendo com uma ideia que, segundo ele, pode poupar até 25% de tempo dos funcionários na categoria dele.

Hoje, enquanto ele está programando um novo software, não consegue ver, em tempo real, como é a interface para o usuário. Ele quer desenvolver um sistema para visualizar isso à medida que se escreve o código.

"Eu já tinha a ideia, mas guardei para mim mesmo. Quando surgiu o concurso, pensei em submeter", conta.

O diretor de marketing da empresa, Flávio Menezes, 42, conta que o vencedor irá ganhar uma viagem e também apresentará o projeto ao comitê de diretores da Linx.

Uma das ideias da campanha, afirma, é fazer os funcionários pensarem na sua própria produtividade.

ANOTA TUDO

O desenhista de instrumentação Jader Vargas, 21, preenche, todos os dias, um relatório descrevendo quanto tempo ele gastou em cada atividade. "Escrevo que fiquei três horas elaborando uma planta, outras duas um diagrama etc. Às vezes penso: 'Putz, demorei cinco horas para detalhar isso aqui!'", conta. Ele trabalha na empresa Progen, de engenharia consultiva -ou seja, faz projetos para terceiros.

Rodrigo Moralez, diretor de engenharia, diz que os dados de produtividade são usados para equipes inteiras. "Com isso, mudamos padronizações de trabalho e métodos."

Outra maneira que as empresas usam para tentar elevar o quanto os funcionários entregam à empresa é investir em educação e aprendizado. Na ALL (América Latina Logística), de operações ferroviárias, os engenheiros fazem uma pós-graduação assim que são contratados.

Rodrigo Pacheco, 27, analista de engenharia de vagões, está na empresa desde janeiro de 2012. Ele conta que durante um seis meses teve aulas teóricas e práticas sobre operação ferroviária.

"É um atalho. Em vez do método mais burro, que seria tentativa e erro, para entender como funciona, [dessa forma] ganho uns dois anos de experiência", afirma.

A coordenadora de treinamento da empresa, Mariana Ferreira Neves Cardoso, explica que a empresa investe nisso pois as universidades brasileiras "não dão formação específica sobre o tema de ferrovias".

Sonia Romeiro, gerente de RH da consultoria e auditoria Deloitte, conta que as métricas pelas quais os funcionários são avaliados são relacionadas a quanta receita trazem. E isso está ligado a conhecimento que os consultores têm de um assunto, pois o cliente irá voltar se julgar que o profissional conhece bastante do problema.

Agora, a empresa está implementando uma "universidade corporativa", que irá ensinar esses diferentes assuntos. "O treinamento é o carro-chefe para a produtividade", concorda Alexandre Furman, 37, gerente sênior.

Entre as empresas de base tecnológica (start-ups), usa-se o termo "enxuto" para descrever uma forma de produção com pouca gente.

Agora, negócios de grande porte olham para esse jeito de trabalho. A construtora Andrade Gutierrez recebeu uma consultoria para trabalhar de forma mais enxuta.

A gestora da área de treinamento Maria Isabel Cyrino, 32, conta que, depois disso, a empresa passou a racionalizar processos que gastavam tempo. Por exemplo, reduziram a distância média que os trabalhadores carregam peças nas obras, o que, no fim do dia, gerou um "superávit" de tempo.

Para Marcus Soares, professor de gestão de pessoas do Insper, há uma outra questão que influencia a produtividade no trabalho: o salário.

"Quando se quer trabalhar com equipe 'top gun', é preciso pagar mais. Mas tem empresas que querem administrar equipes na média. E outras que preferem até mesmo desembolsar menos e receber menos [dos funcionário]."


*Essa notícia foi publicada no site Folha de São Paulo, em 06/10/2013

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