Huma

Escolher errado no início da carreira pode comprometer o futuro

Mercado
05/02/2013

Prever o futuro no mercado de trabalho tem se mostrado uma tarefa praticamente impossível. Inovações tecnológicas, organizacionais e constantes mudanças no cenário econômico fazem com que áreas até então promissoras percam espaço rapidamente para outras antes desvalorizadas. No entanto, independentemente do cenário que o profissional vai encontrar, especialistas são unânimes em citar a importância dos primeiros anos da carreira para a concretização de uma trajetória sólida.

"O sucesso é resultado de um conjunto de escolhas. O jovem que está saindo da graduação e começando a abraçar uma carreira tem que, antes de qualquer coisa, descobrir aquilo que gosta, o que o faz vibrar", diz Irene Azevedo, professora de gestão de pessoas da BBS Business School e diretora de negócios da LHH/DBM.

Segundo Irene, essa é a época de arriscar. "Aos vinte e poucos anos é possível experimentar áreas e competências. Melhor errar nessa fase, que errar a vida toda." Irene, que foi gestora durante 24 anos na IBM Brasil, consultora de recursos humanos na Ticket e gerente na KPMG, destaca também a importância dos cursos rápidos, como os de extensão, além dos programas de trainees. "São fundamentais para conhecer funções, culturas empresariais e fazer contatos."

Darcio Crespi, sócio da Heidrick & Struggles, ressalta que o período logo após a faculdade é o mais indicado para testar aquilo que se aprendeu em áreas diferentes da graduação. Avaliar oportunidades e competências, no entanto, é bem diferente de ficar pulando de galho em galho. "Isso só atrapalha. É preciso eleger um campo de ação dentro de uma escolha maior, feita na graduação".

Na opinião de Crespi, o mais importante é o jovem ter certeza da carreira escolhida. Para exemplificar, ele conta a história de quando foi contratado por um grande hospital de São Paulo para escolher o novo presidente. "Cheguei a um executivo de uma das maiores empresas de seguro-saúde do Brasil. Quando ele foi entrevistado e soube para onde era a vaga, desistiu. O curioso é que ele era médico e disse odiar hospitais. Eu imaginei como o curso de medicina deve ter sido conflituoso para ele."

Histórias como essa, de dúvidas ou derrapagens na carreira, estão longe de serem casos raros. Segundo estudo do Instituto Lore, consultoria americana de desenvolvimento profissional, a taxa de executivos de alto potencial cuja carreira saiu do trilho em relação à trajetória anteriormente planejada está entre 33% e 66%.

Para Van Marchetti, diretora da Attitude Plan e professora do Senac SP e do MBA da Universidade São Francisco (USF), a escolha do curso superior deve ser planejada em família. "Nesse momento é muito importante a participação e não a decisão dos pais. Perguntas, mesmo que aparentemente pueris, como o que quer ser, o que gosta de fazer e onde quer estar daqui a alguns anos podem ajudar bastante."

Na sua opinião, o autoconhecimento é de grande valia nesse momento e um teste vocacional pode ajudar. "Ele talvez não seja infalível, mas certamente será um bom orientador quanto à área de atuação mais condizente com o perfil", afirma.

Jaqueline Silveira, gestora de carreiras do Ibmec/MG, não recomenda que os cursos complementares e de especialização muito longos sejam feitos imediatamente após a graduação. Isso porque já foi dado um passo importante do ponto de vista acadêmico e a hora, agora, é de testar a empregabilidade. A consultora recomenda projetos de intercâmbio, processo de trainees e estágios. São nesses últimos que o profissional irá conferir competências, pontos fortes e fazer contatos.

Ente os cursos em alta, ela cita os que garantem certificações em línguas, administração ou recursos humanos. São mais baratos que as pós-graduações e MBAs, que podem ser feitos depois, quando a carreira estiver mais estabilizada.

Crespi, da Heidrick & Struggles, destaca que o MBA é importante para o executivo mais experiente e com uma vida profissional mais clara. "É um curso baseado na troca de experiências. Fundamental, mas desaconselhado para quem ainda está começando".

Desse modo, para quem já está no mercado e pensa em crescer profissionalmente, Van Marchetti, da Attitude Plan, sugere perguntar a si mesmo se está surpreendendo o empregador, entregando mais que o esperado, antes de cobrar um reconhecimento. "Crie uma lista com o que você faz de melhor tecnicamente e quais são as suas habilidades comportamentais. Desenvolver a oratória também é fundamental", diz. Ela ressalta que quem fez um curso de graduação muito técnico e está almejando um cargo de gestão, por exemplo, precisa buscar uma complementação em áreas como liderança.

Já aos mais jovens, a recomendação é se aprofundar nas oportunidades de emprego que surgirem, como o estágio. "É preciso não apenas atender às expectativas da gestão, mas superá-las."

 

*Essa notícia foi publicada no site Valor Econômico, em 4/2/2013

Comentários

X

Receba as principais atualizações do Portal Huma

Fique por dentro das novidades da área de gestão de pessoas. Assine a newsletter do Portal Huma e receba as principais informações da semana!

Enviar

https://www.lg.com.br/