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Escrever bem faz bem à carreira

Mercado
14/02/2012

Quantas vezes você leu e releu um texto que recebeu - um relatório ou e-mail - mas não entendeu absolutamente nada do que a pessoa queria dizer? E o seu texto? Algumas pessoas têm dificuldade em entendê-lo? Costuma ler o que escreveu antes de enviar a alguém? Não? Deveria. Segundo especialistas ouvidos pelo Canal Rh, o executivo que escreve mal pode não ter suas mensagens compreendidas e corre o risco de arranhar a sua imagem e da empresa para a qual trabalha.

Para Íris Gardino, professora doutora da Fundação Instituto de Administração (FIA), no entanto, é difícil para a maioria das pessoas admitir que não escreve bem e que precisa de uma atualização. “A nossa língua é um instrumento vivo e sofre alterações”, comenta. Segundo íris, outro problema é que grande parte das pessoas acha a língua portuguesa muito complexa. “E não é. O que ocorre é que são raras as instituições no Brasil que ensinam o português correto”, diz.

Escrever claramente e com simplicidade é a melhor saída, afirma. “Não escreva um texto para impressionar. Seja claro e objetivo. A ideia mais importante do texto tem que estar logo nas primeiras linhas”, diz. Segundo a professora, que dá aulas de comunicação oral e escrita para executivos na FIA, não há uma área profissional que tenha mais problemas de texto que outra. “Depende muito do ensino que a pessoa teve na escola. Houve uma turma da área de exatas que me surpreendeu bastante. Eles escreviam muito bem.”, diz.

E-mail é coloquial, mas nem tanto 

O e-mail corporativo requer ainda mais atenção e deve ser escrito de maneira clara e objetiva. Além disso, mesmo que o executivo tenha um relacionamento de proximidade com o destinatário de sua mensagem, o ideal é não ser tão informal. “Não faça gracejos no e-mail da empresa, pois ele vai para a pessoa com a marca da organização impressa em cada mensagem”, explica Íris Gardino. Segundo ela, isso pode, eventualmente, causar desconforto se o texto for encaminhado a uma terceira pessoa que não participou da conversa, seja ele um superior ou não.

Quando a mensagem for direcionada a um cliente e o profissional considerar o conteúdo dela muito complexo, a professora sugere que ele submeta o texto à leitura de outra pessoa antes do encaminhamento. “Ele pode pedir para alguém ler e dizer se entendeu o que leu”, exemplifica. Uma segunda opinião pode evitar que erros passem despercebidos pelo executivo. “A empresa não pode deixar chegar ao ponto de os erros serem apontados pelos seus clientes, como acontece em alguns casos”, diz o psicólogo organizacional com especialização em Gestão de Pessoas e diretor de projetos coorporativos da consultoria RHFácil Brasil, Marcos Simões.

Mas, o que fazer para melhorar o texto? Os especialistas são unânimes: a leitura ainda é a melhor maneira de melhorar a escrita e aumentar o repertório, mas só isso não é suficiente. Para a consultora de etiqueta e autora do livro “Os Sete Pecados no Mundo Corporativo” (Ed. Vozes), Lígia Marques, esses problemas podem ser resolvidos também com cursos e treinamentos na área de comunicação escrita. “Outra dica importante: sempre que tiver uma dúvida, não escreva. Use o velho amigo dicionário antes de se comprometer por tão pouco”, finaliza.

Para algumas empresas, a preocupação com a língua portuguesa começa no processo de seleção. No Grupo PAR, que atua nas áreas de seguro, tecnologia e negócios imobiliários, são aplicados testes de português aos candidatos. Depois da contratação, a empresa acompanha de perto os textos de alguns executivos, segundo o diretor executivo da companhia, Marcelo Maron. “Caso a organização detecte um problema, deve abordar o assunto de forma clara e direta, encaminhando o profissional para um treinamento adequado”, afirma.

Abaixo, algumas dicas da professora Íris Gardino para escrever bem:

  • Concisão: use poucas palavras (especialmente em mensagens eletrônicas), escreva de maneira simples e não tente impressionar.
  • Coesão: seja coeso em suas ideias. As frases precisam ter sentido e relação entre si.
  • Correção: a soma da coesão e concisão.
  •  Evite misturar palavras em português com de outras línguas (a não ser que não tenham tradução).
  • Use o gerúndio com cuidado, só quando realmente for necessário. Troque o “vou estar agendando” por “vou agendar”.
  • Se o assunto for muito complexo ou a mensagem tratar de vários assuntos, escreva em tópicos.


Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 08/02/12.

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