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Estudo explicita ligação entre atuação do RH e desempenho financeiro

Mercado
08/12/2014

Muito se fala que RH de alto desempenho ajuda a impulsionar a performance financeira das empresas. Agora, essa afirmação foi confirmada pelo The Boston Consulting Group (BCG) e pela Federação Mundial de Associações de Gestão de Pessoas (WFPMA), da qual a ABRH faz parte.

Os resultados estão detalhados na oitava edição do Creating People Advantage 2014/2015: How to Set Up Great HR Functions, relatório anual que explora novas e bem-sucedidas tendências em RH.

A equipe responsável pelo relatório comparou o desempenho de dez anos das ações de empresas públicas listadas pela revista Fortune como as 100 Melhores Empresas para se Trabalhar em 2014 com o índice S&P 500. As 100 melhores superaram o índice em quase 100 pontos percentuais. O relatório ressalva, no entanto, que esse é o caso apenas quando os líderes de RH têm o respaldo para funcionar como um parceiro estratégico para os líderes de negócio da empresa.

"Gestores de RH precisam se conectar cada vez mais com parceiros internos e externos das empresas para poder melhorar o desempenho operacional e financeiro da corporação", disse Jean-Michel Caye, sócio sênior do BCG e coautor do relatório.

Neste ano, a o estudo ouviu mais de 3,5 mil executivos de diferentes indústrias em mais de 100 países. O estudo foi complementado com entrevistas pessoais com 64 líderes de negócio e de RH.

No Brasil

A pesquisa identificou que formação de liderança, gestão de talentos, e cultura e comportamento são as principais preocupações atuais dos gestores de RH no Brasil.

O desenvolvimento da liderança, particularmente ante o cenário atual de incertezas, é um dos temas mais urgentes para o empresariado brasileiro. “O crescimento econômico recente, em um país com escassez de talentos, gerou uma verdadeira guerra por profissionais de talento” analisa Christian Orglmeister, sócio do BCG Brasil e coautor do estudo. "Isso levou muitas empresas a acelerarem a carreira e promover seus gestores, como forma de retenção. No entanto, agora que os ventos da economia mudaram e os desafios são de custos e eficiência, muitos destes gestores não foram preparados para liderar neste contexto."

Outro aspecto é a volta do tema de cultura e comportamentos no Brasil. Isso porque, com a guerra de talentos recente, muitas empresas sofreram aumento de turnover, algumas com grande mistura de profissionais vindos de outras empresas. “Como esse foi um movimento muito rápido, estas empresas estão agora tendo que parar e revisitar sua essência e reafirmar seu DNA", observa Orglmeister.

O estudo também indica que muitas empresas também têm trabalhado para transformar sua cultura e seus valores em comportamentos concretos, reforçados por práticas de gestão de pessoas específicos.

RH x Público interno

O relatório também ressalta a importância de uma ligação clara entre os líderes de RH e os de negócio. Os dados da pesquisa indicam que isso pode estar faltando em algumas organizações.

"Entrevistados que não atuam na área de RH descreveram a capacidade de gestão de pessoas da sua empresa como significativamente menor do que os entrevistados que atuam no RH", disse Jorge Jauregui, presidente da WFPMA.

Entre as 27 áreas de RH abordadas pelo estudo, os entrevistados que não atuam no RH classificaram 40% delas na "zona vermelha", indicando uma necessidade significativa de ação, incluindo temas críticos, como liderança, gestão de talentos e planejamento estratégico da força de trabalho. Por outro lado, os entrevistados de RH não classificaram quaisquer áreas de RH na zona vermelha.

Além disso, o relatório segmentou as empresas com melhor e pior desempenho entre os entrevistados, e identificou temas comuns entre cada grupo.

A descoberta que mais se destacou foi a de que os departamentos de RH de empresas vencedoras eram mais capazes de identificar prioridades claras, em que eles precisavam melhorar e direcionar melhor seus investimentos e esforços futuros.

"Por outro lado, as empresas com pior desempenho adotam uma abordagem mais generalista", disse Rainer Strack, sócio sênior do BCG e coautor do relatório. "Elas não identificam prioridades claras e não focam seus investimentos."

Ferramentas

Os resultados também indicam uma forte relação entre o uso de métricas, ferramentas de análise de RH e um papel mais estratégico para a área de RH.

A mensagem para os líderes de RH é de que aqueles que querem um "lugar à mesa" durante as discussões estratégicas devem ser capazes de avaliar – e comunicar - o desempenho da força de trabalho. Isso implica ir além de métricas rudimentares, que focam apenas em custo de pessoal e número de funcionários, e ir em direção a indicadores de resultados mais sofisticados que possam medir a produtividade efetiva dos funcionários.



Essa notícia foi publicada no site da ABRH-Nacional, em 04/12/2014

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