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Falta senso de “se-virança”

Mercado
19/05/2010

 

Uma grande quantidade de pessoas de um país está incluída no conceito de População em Idade Ativa (PIA), uma classificação etária que compreende o conjunto de todas as pessoas de um país teoricamente aptas a exercer uma atividade econômica, um trabalho. No Brasil, consideram-se a PIA todas as pessoas com 10 ou mais anos de idade. Estas pessoas que compõem a PIA estão subdividas em População Economicamente Ativa (PEA), que consiste na soma das pessoas empregadas (PO – Pessoas Ocupadas) com as pessoas temporariamente desempregadas (PD – Pessoas Desocupadas) e População Economicamente Inativa (PEI) que consiste na soma das pessoas incapacitadas para o trabalho, que desistiram de buscar trabalho ou ainda que não querem mesmo trabalhar (estudantes, aposentados, incapazes, etc.). Resumidamente temos: PO + PD = PEA e PEA + PEI = PIA

Tudo isto é o que se aprende introdutoriamente nas primeiras páginas de qualquer livro de macroeconomia, mas o que pretendo grifar hoje é que existe uma parcela da PO que vão se transformar em PD por absoluta falta de capacidade de “se-virança”! Fazem parte da latente PISV (População Incapacitada de Se-Virar) e, normalmente, sabem mais reclamar da vida do que assumir que apenas colhem aquilo que são capazes de plantar!

Tratam-se daquelas pessoas sem o mínimo de proatividade e que não conseguem pensar no que estão fazendo sob o ponto de vista de atingir um objetivo (ou pelo menos reconhecê-lo), mas apenas se restringem a terminar o que estão fazendo da melhor forma possível. Não demonstram esforço relevante para compreender em que contexto está inserida aquela atividade. Podem até primar pela eficiência (fazer certo a coisa), mas estão longe, muito longe, da eficácia (fazer a coisa certa) e a anos luz da efetividade (colher resultados de forma sustentada).

Total falta de vontade (nem diria falta de capacidade, porque esta todos a têm. Pelo menos é o que dizem os especialistas em inteligência), de criatividade, de lógica, de senso de urgência, de ânimo, de prazer em realizar determinada atividade, poderia explicar a falta de capacidade de “se-virança”. “Se-virança” (termo meu, assumo totalmente o neologismo) é a capacidade de uma pessoa encontrar alternativas para realizar os objetivos de forma individual e com os recursos disponíveis (sempre escassos) naquele específico momento.

Uma pessoa com senso de “se-virança” (aquele que se vira, que dá seus pulos, que improvisa em prol de um resultado efetivo) é aquela que defende ditados como: “quem tem boca vai a Roma”, “quem não tem cão, caça com gato”, “em terra de cego, quem tem um olho é rei”, “mais vale um pássaro na mão, do que dois voando”.

Será que estou me fazendo entender?! Você leitor faz parte do PISV? Espero que não! Acho que não. Um bom motivo para eu pensar que não, é que você está lendo este texto por algum motivo e, se existe algum motivo que seja propulsor de suas atitudes, creio que já seja uma indicação de que você parece “se-virar” mais do que reclamar! Os membros do PISV geralmente odeiam ler (quanto mais estudar); costumam demorar mais do que o normal para entender aquelas piadas mais inteligentes; preferem ordens claras e detalhadas ao invés de diretrizes amplas e desafios impossíveis; tem hora certinha para ir embora (nem sempre com a mesma disciplina para chegar); não percebem qualquer frustração por um trabalho que não gerou o resultado esperado; são superficiais e odeiam coisas complexas; não preocupam-se com o todo, apenas com uma parte; em síntese, parece que morreram, mas esqueceram-se de deitar!

É disto que sinto falta em uma parcela significativa das pessoas da PEA! Muitas delas vão perder suas oportunidades de emprego (PO) e vão passar a vida inteira reclamando que foram demitidas (PD), alegando que foram consideradas um mero número na empresa onde trabalhavam. Vão provavelmente reclamar que não foram plenamente preparadas (o que pode ser até uma verdade indiscutível), mas pouco fizeram para “se-virar”! Pouco se assume, mas muitas destas pessoas fazem de tudo para não passarem de meros números. Fazem o mínimo necessário (alegam esforçar-se apenas pelo equivalente ao que são remuneradas) e não vêem com a nitidez esperada as oportunidades quicando!

Nós, da Divisão OT (www.olhodetigre.com.br), temos conduzido treinamentos vivenciais de alto impacto que, dentre muitos outros objetivos relacionados a ciência do comportamento e as neurociências, esforça-se para dar um chacoalhão nestas pessoas a ponto de fazê-las perceber que esta alienação só as prejudica no mundo corporativo competitivo e também no âmbito familiar e social.

Pense nisto!
Tirá-lo da zona de conforto e fazê-lo refletir e agir é minha principal função. 
Você sempre é o único culpado por tudo de bom e de ruim que acontece em sua vida! Se você acha que pode, tem razão. Mas se acha que não pode, infelizmente também tem razão!

Orlando Pavani Junior é CEO da Gauss Consulting, empresa de assessoria instrumental e consultoria especializada.

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