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Gerentes trocam de área para aprender sobre outros setores

Mercado
05/01/2015

 

Colocar-se no lugar do outro, seja do cliente ou do consumidor, é uma estratégia comum para compreender melhor os resultados do seu trabalho. Uma ação de recursos humanos no Consórcio Luiza levou isso adiante e promoveu um troca-troca de papéis entre os próprios gerentes da companhia.

Foi assim que Edvaldo Santos Ferraro, gerente nacional de vendas, passou uma semana no comando da área de orçamento - dois departamentos que, nas suas próprias palavras, costumam ficar "em pé de guerra" nas questões financeiras da empresa. "Somos vistos como aqueles que gastam muito com campanhas mirabolantes de vendas", diz Ferraro. Enquanto isso, a área de orçamento deve acompanhar despesas e avaliar a necessidade de liberação de verbas. Passar uma semana com essa função abriu os olhos de Ferraro: "Tive a oportunidade de ver o desafio do outro lado. Percebi que lá também existem cobranças", diz.

A ideia de promover um intercâmbio entre os 14 gerentes de área veio da diretora do consórcio, Edna Honorato. "O objetivo é fazer com que os líderes deixem a noção de que são apenas gerentes de área e tenham a visão do todo da empresa, que é a principal dificuldade hoje", diz. Edna sorteou as áreas para escolher como seria feita a troca entre os gerentes e em seguida avisou os gestores com alguns dias de antecedência que a partir da segunda-feira seguinte eles atuariam em uma área diferente. A semana, no início de setembro, era decisiva para a companhia: era o início da formulação do planejamento estratégico de 2015. "Escolhemos o período apesar do risco. Todos teriam que mudar independentemente de ter que fechar tarefas ou ter viagens marcadas", diz Edna.

O Consórcio Luiza possui cerca de 160 funcionários, localizados todos no mesmo prédio, portanto Ferraro tinha contato frequente com a gerente de orçamento cujo cargo ocupou. "Mas não tinha entendimento profundo do trabalho dela. A gente acaba imergindo no próprio mundo no trabalho", explica. Além de ampliar a compreensão de como a outra área da empresa funciona, a semana também contribuiu para seu conhecimento como profissional, tanto na questão técnica quanto na gestão de pessoas. "Tive que me apoiar muito na equipe de orçamento, pois eles que eram capazes de fazer a parte técnica do trabalho", diz.

Além de ampliar a visão que os gerentes possuem da empresa inteira, o troca-troca pretendeu ajudar os gestores a sair da "acomodação", segundo Edna. "O líder precisa fazer experiências novas e correr riscos, e entender a consequência do trabalho dele na outra área", diz. "Todo mundo sempre acha que a sua área dá mais trabalho que as outras", completa. Por isso, seu plano é fazer mais rodadas de trocas, desta vez por mais tempo, para que os gestores consigam perceber o efeito que suas ações tem nas outras áreas. Desde então, ela também promoveu outra experiência de troca de papéis, pedindo que os gerentes seniores ocupassem seu lugar numa reunião de diretoria e apresentassem os resultados da empresa. "Foi interessante para ver a confiança e a tomada de decisão deles", diz.

Para Ferraro, a experiência do intercâmbio também exigiu que outra habilidade fosse trabalhada: o desapego. Além de ter que assumir uma nova área em uma semana estratégica para a empresa, ele também teve que deixar a sua nas mãos de outra gerente) - no caso, a de gestão de pessoas. "No primeiro dia eu olhava os e-mails e tentava acompanhar um pouco do que acontecia lá, mas depois parei, ou não iria conseguir fazer as duas coisas", diz. Ao fim da experiência, os gerentes receberam feedback das equipes que "adotaram" e fizeram uma reunião na qual todos trocaram experiências.
 

Essa notícia foi publicada no site Valor Econômico, em 05/01/2014

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