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Gestor de recursos humanos de origem humilde consegue maiores retornos, indica estudo

Mercado
19/09/2016

Encontrar um gestor de recursos que provavelmente supere a rentabilidade do mercado é difícil. Como dizem os prospectos de divulgação de investimentos, rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura.

Mas dois professores de administração descobriram um novo indicador que parece ter um certo poder de previsão: gestores que vêm de famílias mais pobres tendem a obter um desempenho superior ao daqueles oriundos de lares mais abastados. Em um estudo recente, essa descoberta se repetiu independentemente da forma como os professores calcularam o desempenho. E a diferença foi significativa — mais de dois pontos percentuais por ano, de acordo com um dos cálculos.

Por que? Os professores, das universidades de Michigan, nos Estados Unidos, e de Nova Gales do Sul, na Austrália, acreditam que seja porque crianças mais pobres enfrentam mais dificuldades para se tornar gestores de fundos quando adultas. “Nós argumentamos que gestores que nascem pobres enfrentam barreiras de entrada maiores na área de recursos humanos, e apenas os mais habilidosos têm sucesso”, escreveram eles. “Em linha com esta visão, os gestores nascidos ricos tendem mais a ser promovidos, enquanto aqueles que nascem pobres são promovidos apenas se tiverem um desempenho acima da média.”

Isso exigiu certa investigação. Primeiro, os pesquisadores obtiveram dados de gestores de fundos entre 1975 e 2012, incluindo seus históricos educacionais e de emprego. Eles usaram informações das firmas de dados Morningstar e FactSet e o Diretório de Gerentes de Investimento Nelson, que reúne o perfil de mais de 2 mil gestores de recursos, assim como anuários escolares, registros universitários e outras fontes.

Os pesquisadores então combinaram os nomes dos gestores de recursos a informações do LexisNexis Public Records, banco de dados de empresas e pessoas americanas, e depois a dados do Censo dos EUA das famílias dos gestores. Como os EUA têm como regra só divulgar os dados pessoais recolhidos a cada censo após 72 anos, os dados mais recentes disponíveis são dos anos 40. Eles contêm dados sobre renda familiar, valores de imóveis e outras informações importantes sobre as circunstâncias financeiras do gestor durante seu crescimento. Devido à falta de informações pessoais disponíveis depois de 1940, os pesquisadores limitaram seus estudos a gestores nascidos antes de 1946.

Os professores acabaram obtendo dados de censo confiáveis de 267 gestores responsáveis por 482 fundos mútuos exclusivos (fundos formados por várias classes de ativos). Para fins comparativos, os pesquisadores reuniram dados de emprego, educação e imóveis aos níveis de regiões censitárias, municípios e do país.

Os fundos mútuos foram limitados a fundos de ações dos EUA com mais de US$ 10 milhões em ativos a qualquer momento durante o período analisado. O estudo também foi limitado a fundos com apenas um gestor (consistente com o objetivo do estudo).

O desempenho do gestor foi calculado usando várias técnicas. O foco foi no “alfa”, ou o retorno ajustado ao risco de um fundo sobre um portfólio de referência para comparação. Os pesquisadores descobriam que os gestores de fundos vindos do grupo que reunia as famílias mais ricas (os 20% do topo) tiveram um desempenho inferior ao das famílias mais pobres (os 20% da base) em 2,16 pontos percentuais ao ano.

Os gestores das famílias mais pobres também tiveram um desempenho superior quando os pesquisadores usaram outros parâmetros. Os gestores mais pobres também realizaram uma maior rotação no portfólio dos fundos, o que pesquisas anteriores associaram a um desempenho superior.

Os professores acreditam que suas descobertas podem ser aplicadas em outros setores. “Nossas evidências sugerem”, escrevem eles, “que o status social de um indivíduo ao nascer pode servir como um importante sinal de qualidade em outros setores com elevadas barreiras de entrada, como gestão de empresas ou serviços profissionais.”

Essa notícia foi divulgada no site The Wall Street Journal, em 12/09/2016

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