Huma

Liberar ou bloquear, eis a questão

Mercado
02/05/2012

Restaurante, um grupo animado, conversa, risadas, interação. Porém não é incomum que algum dos participantes esteja de cabeça baixa e olhos fixos na pequena tela do smartphone, isolado na interatividade virtual. Já viu essa cena? É bem possível. Hoje, as redes sociais são alvos de visitas diárias – várias vezes ao dia em muitos casos –, constantes trocas de ideias, novidades e fofocas, tempo para olhar o álbum de fotografia gigantesco da última viagem e até carinho, trocado com ou sem fio. Some-se a isso o fato de a internet ser praticamente onipresente, o que já virou até mote para uma piada que circula na rede: “Eu tenho uma vida fora do Facebook, só não lembro a senha”.

O fenômeno acompanhou os notebooks, tablets e celulares até o escritório e aí surge uma conexão complicada: o acesso às redes sociais durante o expediente. A pergunta não quer calar no mundo corporativo e tem dividido opiniões entre instituições e estudiosos de fenômenos digitais. Liberar ou bloquear, eis a questão. “Isso varia muito de acordo com a natureza da empresa”, responde o gestor de Comunicação Corporativa Denis Zanini. “Uma agência de publicidade, por exemplo, costuma até estimular que seus funcionários lidem com as mídias sociais, porque é uma ferramenta de trabalho.”

Liberdade responsável

É esse o caso da agência de comunicação Out Promo, onde o uso da internet é liberado para todos os 80 funcionários: da recepção à diretoria. “Nós somos uma agência de marketing promocional, ou seja, nosso negócio é a comunicação”, explica Maurício Gallian, sócio diretor da companhia. “Sendo assim, essas redes são, na verdade, fontes de pesquisa para a gente. As pessoas usam para trabalho e também para descontração, fazem um uso pessoal.” O empresário observa, no entanto, que a falta de um código que regulamente a questão internamente não implica falta de orientações sobre o assunto. A mais praticada delas diz respeito aos termos de confidencialidade que a agência estabelece com seus clientes. “A gente pede para que ninguém poste nada sobre um trabalho que ainda não aconteceu ou que vai acontecer”, exemplifica Gallian, para quem ainda a questão exige mais do que apenas escolher de que lado ficar. Em sua opinião, não basta refletir se um funcionário deve ter acesso às redes sociais durante seu período de trabalho; é importante atentar para postura do profissional em geral, incluindo como ele se comporta no mundo real ao se relacionar com os colegas ou em um evento da instituição ou do cliente. “É uma questão de cultura da empresa. Quando a maneira de agir e de pensar da organização está clara para os colaboradores fica mais fácil lidar com temas como esse.”

Acesso negado

Por outro lado, se a companhia lida com dados sigilosos, como acontece com os bancos ou consultoras financeiras, a política tende a ser de blindagem das informações, para evitar que elas caiam na rede. “Às vezes, é vetado o uso da internet em geral, incluindo e-mails pessoais”, retoma o consultor Denis Zanini. “A orientação é não correr riscos.” Essa foi a decisão tomada pelo Grupo Andrade Gutierrez. “A nossa área de TI [tecnologia da informação] entende que não é prudente deixar as redes abertas”, esclarece a gerente de Gente e Gestão da holding, Maria Isabel Albernaz. Ela informa que o acesso é bloqueado em toda a pirâmide, independentemente do nível hierárquico. Além do sigilo, o segundo ponto considerado para o bloqueio foi o risco de sobrecarga da rede interna, caso o uso pessoal das máquinas fosse liberado. “Numa empresa com mais de 26 mil funcionários, o fluxo de informações seria muito pesado”, pondera Maria Isabel. “Fora a necessidade do controle sobre o que é compartilhado nessa rede.” Ponto final? Ainda não. Como garantir o status de desconectado dos funcionários se a internet já migrou para os celulares? “É difícil”, confessa a executiva, explicando também que o trabalho, nesse sentido, é reforçar entre os funcionários a importância de que cada um proteja as informações sigilosas e compreenda as demandas de confidencialidade. Em outras palavras: a importância de se praticar o velho e sempre útil bom senso. “A gente trabalha muito a atitude do nosso funcionário”, informa a gerente. “Sempre reforçando coisas como não colocar comentários que não sejam adequados e ficar atento ao fato de que essas redes são públicas.”



Esta notícia foi publicada no Canal RH, em 01/05/2012

Comentários

X

Receba as principais atualizações do Portal Huma

Fique por dentro das novidades da área de gestão de pessoas. Assine a newsletter do Portal Huma e receba as principais informações da semana!

Enviar

https://www.lg.com.br/