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Mercado de caçadores de talentos mira profissionais mais jovens

Mercado
21/12/2010

 

O mercado de caçadores de talentos, conhecidos como "headhunters", mudou. Executivos que ocuparam altas posições em grandes empresas dão espaço a profissionais mais jovens, com menos experiência gerencial.

O número de recrutadores especializados em encontrar funcionários para preencher vagas específicas também cresce ano a ano, segundo 11 das maiores empresas do setor procuradas pela Folha.

A explicação para esse cenário em transformação é o aquecimento da economia, que fomenta uma busca mais "agressiva" das empresas por profissionais para cargos de média gerência.

Isso amplia o mercado para recrutadores mais jovens, com perfil semelhante ao de quem é "caçado".

A engenheira Ana Luiza Mascarin, 25, foi convidada pelo sócio da Abrahams Executive Search, Jeffrey Abrahams, para ser consultora com foco em média gestão.

"Existem presidentes de empresas jovens, por que não ter 'headhunters' jovens também?", questiona ele. E completa: "Claro que falta experiência, mas é para isso que trabalhamos juntos".

INICIANTES ESPECIALIZADOS

O novo "headhunter", mais jovem e com menos experiência de mercado, é também mais especializado.

É na área de formação ou na qual atuou em que ele terá de garimpar os talentos para suprir a demanda de profissionais para cargos de média gerência nas empresas.

Um advogado que tenha sido trainee ou estagiário em um escritório, por exemplo, pode vir a "caçar" colegas.

Para isso, além do curso superior em área correlata, é preciso ter competências como boas comunicação e negociação e muitos contatos.

Formado em administração em 2007 e ex-auditor financeiro de uma multinacional, Thiago Cardoso, 27, reunia as habilidades necessárias para tornar-se um recrutador. Foi contratado neste ano pela consultoria Michael Page para a área de finanças.

Sua trajetória é semelhante à de muitos profissionais que migram para o campo de seleção de executivos. Numa entrevista de emprego para a área de auditoria, o recrutador identificou em Cardoso os requisitos necessários para tornar-se consultor.

A migração, contudo, exigiu esforço. "A auditoria era uma área totalmente quantitativa, uma rotina muito mais analítica e técnica. Para superar [a lacuna de aprendizado], passei por um treinamento muito pesado", conta, sobre as aulas de entrevista e de comportamento que teve.

Cardoso foi um dos 80 contratados pela consultoria especializada em média gerência neste ano _30 para repor os demitidos em 2009 e 50 para novas posições.

Não há números sobre o mercado de "headhunting" no país. Mas outras grandes consultorias, como Robert Half e Search, também ampliaram seus quadros.

Para parte dos especialistas, a oferta desse tipo de serviço pode estar se "banalizando" devido à enxurrada de novos "headhunters" e empresas de "hunting".

BUTIQUES

A estratégia de algumas delas para se diferenciar --e crescer-- é adotar o modelo de consultoria "butique".

Nele, as metas a serem cumpridas por consultor são menores em volume e maiores em remuneração. O foco, conta Eduardo Bacetti, 31, sócio da 2Get Consultoria, é tornar o serviço personalizado.

A empresa, complementa Bacetti, tem profissionais especializados em diferentes áreas, mas há maior maleabilidade dentro da consultoria. "Não é porque alguém tem mais experiência no setor financeiro que só vai recrutar naquela área", diz.

Essa notícia foi publicada na Folha, em 19/12/10.

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