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Não se avalia impunemente!

Mercado
24/06/2014

*Por Bernardo Leite

Não tenham dúvidas, toda avaliação exige um comprometimento. E esse comprometimento pode se traduzir por uma consideração simples: cumplicidade.

Avaliar coloca o avaliador no cenário da ação, não se consegue ser observador, apenas. Nos tornamos parte e o observador modifica o observado. Esta é uma das principais razões da dificuldade em dar feedback!

Quando vamos dar um feedback podemos nos considerar em uma posição vantajosa. Afinal estamos avaliando o outro. Mas porque não nos sentimos assim?

Porque, ao avaliar, nos comprometemos com um posicionamento. E isso significa participar, tomar partido e escolher.Como se não bastasse, quando o feedback dirige-se a algo que precisa ser modificado, percebemos que de alguma forma também estamos sendo avaliados. Afinal a gestão é nossa.

Outro aspecto importante é que a reação de quem recebe o feedback é terrivelmente humana. Isto é, reagimos ao que não nos agrada de forma a não aceitar, imediatamente. Sim, isso é absolutamente comum. Quando a informação que recebemos não nos é muito simpática, temos a resistência aos fatos para nos proteger quanto a desilusão ou fraqueza. Sim, a resistência é absolutamente necessária ao ser humano como garantia de equilíbrio e sanidade. Para aceitar necessidades de mudança temos que recorrer a reflexão e, eventualmente, outras percepções.

Por isso é importante recebermos feedback. Precisamos de outras percepções.
Até porque sem feedback não há desenvolvimento. Não podemos nos restringir as nossas percepções.

Sempre reforço: “Qual é a nossa expectativa após a prova? A nota, lógico, e isso é, feedback”!
Quer dizer que dependemos do feedback para o nosso desenvolvimento, afinal não há desenvolvimento sem feedback. Este é mais um ponto de destaque na gestão. Toda liderança tem a responsabilidade de desenvolvimento de seus subordinados.

O que acontece apenas em nossa mente não é realidade! Algumas pessoas tem a ilusão de que controlam algo quando guardam para si informações importantes. Ora, informações só são importantes porque assim as consideram as outras pessoas. É como entendemos as boas ideias. Boas ideias só existem porque as pessoas a reconhecem. Uma boa ideia dentro da gaveta é nada! Não existe.

Para a avaliação o raciocínio é semelhante. Se avaliamos e não damos o feedback então não fizemos nada também. Por isso avaliar é fundamental e o feedback é a garantia de que a avaliação teve alguma razão.

Sempre afirmamos que o feedback não é uma opinião. Não é apenas dizer que está ou não está bom, é necessário dizer o porquê não está bom. Isso é reorientação. Mas, não se esqueçam que não basta olhar para trás e dizer o que foi. É determinante entender o que será.
Não podemos mudar o passado. Podemos usá-lo como referencial, mas temos que caminhar para a solução. Para isso existe o feedforward, isto é, o olhar para o futuro. Como transformar a situação atual para uma oportunidade de melhores resultados? Ora, é para isso que avaliamos, para melhorar.

E, finalmente, isso é gerenciar. Gerenciar é avaliar, sistematicamente, dar feedback para reorientar o processo e olhar o futuro para aproveitar as potencialidades de todos, a começar das nossas potencialidades.

*Bernardo Leite é psicólogo especializado em Administração de Empresas e especialista em Comportamento Organizacional. Desenvolve trabalhos de consultoria em Gestão, Desenvolvimento de Lideranças, Planejamento Estratégico e ações de Coaching Personalizado. É palestrante, professor universitário e autor dos livros "Ciclo de Vidas das Empresas" e "Dicas de Feedback”.

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