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No Brasil, faltam limites entre a vida profissional e pessoal

Mercado
08/06/2011

Os limites entre a vida pessoal e profissional ainda não estão suficientemente claros para os brasileiros. Tanto é assim, que fofoca é o maior motivo de estresse no trabalho, segundo uma pesquisa realizada pela consultoria Robert Half. O levantamento indica que, para 60% dos entrevistados, fofoca e colegas desagradáveis são os maiores causadores de situações de tensão no ambiente de trabalho. O porcentual é o maior dentre os países pesquisados. Profissionais da Alemanha, Áustria, Bélgica, Dubai, França, Holanda, Luxemburgo, República Checa e Suíça conferiram menos de 40% de importância às fofocas e aos colegas desagradáveis.

Para o diretor da Robert Half para a América Latina, Ricardo Bevilacqua, o resultado reflete o fato de que os brasileiros são mais cordiais entre si e, muitas vezes, misturam temas profissionais com pessoais, o que pode resultar em desconforto e fofocas, principalmente devido à mudança de mentalidade dos profissionais das gerações X e Y. “Há uma mentalidade mais antiga que tende a envolver questões pessoais na relação cordial de trabalho, enquanto os mais jovens, embora tenham bom relacionamento profissional, evitam falar de assuntos pessoais. Isso pode gerar conflitos”, analisa.

Para o consultor, a preocupação com a fofoca e a animosidade dos colegas revela certa imaturidade do brasileiro no ambiente profissional, justamente no que tange aos limites entre o relacionamento profissional entre colegas de trabalho e a intromissão na vida pessoal uns dos outros. O consultor ressalta que, em outros países, tanto a cultura quanto a legislação coíbem esse tipo de interferência e, consequentemente, a possibilidade de conflitos é menor. Ele cita a Inglaterra e os Estados Unidos, onde todos sabem que não têm que perguntar ao colega se tudo está bem com sua mulher, marido, filhos etc. No Brasil, isso não só é normal como é considerado antipático dizer ao colega de trabalho que prefere não comentar assuntos pessoais.

Respeito à diversidade

A tendência à cordialidade dos brasileiros também tem aspectos negativos, pois dificulta a aceitação de pessoas que sejam consideradas diferentes. “Hoje os líderes estão começando a compreender que é preciso respeitar o jeito das pessoas no que concerne à decoração do ambiente particular de trabalho e ao jeito de se portar, quando isso não afeta sua produtividade, eficiência etc”.

Ele destaca que vestimenta, por exemplo, é delicado porque muitas empresas têm políticas específicas quanto a isso e normalmente impõem alguns limites, inclusive no casual day, definindo que o casual significa, por exemplo, calça jeans, camisa e sapatos menos formais.

Para o consultor, o Brasil ainda precisa avançar no quesito tolerância e promover a verdadeira inclusão das chamadas minorias, formadas por profissionais que preenchem quotas impostas para garantir a empregabilidade de determinados grupos. Bevilacqua comenta que na Inglaterra e nos Estados Unidos, por exemplo, há leis severas contra a discriminação e estas são aplicadas desde o primeiro contato com a companhia. “Nesses países, o candidato é proibido por lei de colocar fotografia no currículo e informar qualquer dado pessoal, tais como estado civil ou idade, já que isso não tem relação com o trabalho e pode ser discriminatório”. Essa norma, explica ele, visa proteger tanto o candidato (de sofrer discriminação) quanto a empresa (de incorrer em discriminação).

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 01/06/2011.

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