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Novas tecnologias no RH: autoatendimento e mobilidade

Mercado
28/03/2013

LG: Como está a adoção das soluções de autoatendimento (em inglês, intranet self-service) pelas empresas brasileiras? Quais os benefícios desse tipo de ferramenta para as empresas? E para os colaboradores?

Fernando Viberti: A solução de autoatendimento ainda está em fase inicial em grandes empresas, e em muitas empresas de médio e pequeno porte a solução ainda é desconhecida. A intranet de forma geral, ainda é vista como apenas uma ferramenta de comunicação. Desde 2008, nós realizamos o Prêmio Intranet Portal, e nele podemos perceber que são poucas as empresas que possuem uma intranet com maior maturidade. A maioria tem portais ainda incipientes. A solução de autoatendimento, assim como uma intranet madura, pode gerar maior produtividade, assertividade da informação e redução de custos.

LG: Quais desafios o RH enfrenta para tornar a intranet uma ferramenta de colaboração?

Fernando Viberti: O RH precisa se conscientizar que ele tem tudo para ser o departamento que vai liderar a colaboração dentro das empresas. Mas falta planejamento, desde a parte de implantação a todo o desenvolvimento da intranet. É preciso ter em mente o que você quer com a intranet? Quais os objetivos de negócios da empresa a ferramenta conseguirá atender? Quais os resultados poderão ser obtidos?

A intranet pode vir a ser uma ferramenta de inovação e colaboração, mas esse processo não acontecerá sozinho, sem que haja pessoas colaborando com pessoas dentro dessa intranet. É assim que a inovação surge, ela não é um milagre, mas um processo de colaboração. Os sistemas vêm para servir as pessoas, por isso, só implantar uma intranet não vai alcançar os objetivos que se espera, é preciso ter em mente qual o intuito disso.

Hoje o RH está muito preso a processos que estão deixando de existir. Tem muita área de RH indo na onda das coisas sem entender o propósito ou objetivo do que está fazendo. A intranet social, por exemplo, tem sido abraçada por muitas empresas. Mas qual o objetivo das organizações com relação a ela? Como extrair conhecimento disso para toda a empresa? Esse é o grande desafio. Caos é legal na internet onde o conteúdo é disseminado livremente, mas não é legal na intranet, onde é preciso que essa troca de conhecimento seja útil para a empresa.

LG: Algumas empresas têm visto na mobilidade uma oportunidade de melhoria de processos internos e de agilizar a comunicação com clientes ou com colaboradores. Você acredita que o RH também pode usufruir dessa nova tecnologia? Se sim, de que forma os aplicativos para dispositivos móveis poderiam contribuir com a gestão de pessoas?

Fernando Viberti: A mobilidade é um caminho irreversível, porém são poucas as empresas que  a estão utilizando soluções móveis na interação com os colaboradores. Um dos problemas principais são as barreiras de segurança colocadas pela área de TI. A mobilidade corporativa só vai decolar quando a TI aprender a lidar com a consumerização.

LG: Além do aspecto tecnológico, temos que levar em conta ainda a entrada de pessoas jovens, das gerações Y e Z no mercado de trabalho. Segundo especialistas, essas gerações são extremamente ligadas à tecnologia e vivem conectadas. Você acredita que a mobilidade e o autoatendimento no ambiente de trabalho podem contribuir com a satisfação e retenção de colaboradores com essas características? Se sim, de que forma?

Fernando Viberti: Sim. Tenho casos de amigos próximos que não entraram em determinadas empresas porque elas bloqueavam tudo, e isso foi determinante na hora da contratação. Os novos profissionais não estão acostumados a trabalhar como era há vinte anos. As empresas que perceberem isso sairão na frente. A tecnologia não é o fim: é o meio. Não adianta ter tecnologia de ponta sem tem processos que não são revistos há décadas.

LG: Fala-se muito em RH estratégico, capaz de contribuir com o negócio da empresa. De que forma a tecnologia pode contribuir para que a área de RH se torne verdadeiramente estratégica?

Fernando Viberti: O RH precisa mudar e entender que gestão de pessoas é um dos principais processos de inovação. Como já disse antes, inovação não é um milagre é um processo. Ter ferramentas de tecnologia de ponta por si só não vai resolver, se a empresa não sabe o que fazer com isso. É preciso avaliar quais resultados essas ferramentas irão trazer para a empresa, pois, fora disso, elas não servem para nada.

 

*Fernando Viberti é um dos pioneiros em projetos online no País. É Diretor da Associação Paulista de Agências Digitais (Apadi), Diretor do Instituto Intranet Portal, entidade criada para difundir o conhecimento e fomentar o segmento de Intranets e Portais Corporativos e, Sócio-diretor da Conteúdo Online, uma empresa web focada em planejamento estratégico digital. Especializou-se em gestão de mídias sociais, planejamento estratégico, arquitetura de informação, sharepoint, governança, gestão de conteúdo para ambientes digitais e hostmapper.
 



 

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