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O RH e o teletrabalho

Mercado
17/08/2011

 

* Por Silvia Osso

Em dez anos, os escritórios estarão vazios? O progresso das novas tecnologias, a globalização e a crescente preocupação com possíveis fórmulas que permitam conciliar a vida profissional com a pessoal estão transformando o conceito tradicional de empresa e de expediente de trabalho. A internet e as tecnologias móveis serão os protagonistas dessa próxima revolução, que permitirão aos profissionais realizar seu trabalho de qualquer ponto do planeta sem necessidade de comparecer ao escritório.

Hoje o principal obstáculo ao trabalho em casa não é o grau de desenvolvimento tecnológico e sim a cultura da organização. Muitas empresas ainda vinculam o tempo em que se permanece na organização com a produtividade. O teletrabalho, por sua vez, implica um grau de individualidade difícil de ser aceita em determinadas organizações e culturas.

O mundo do trabalho tornou-se muito mais feminino nas últimas décadas e o papel cada vez importante da mulher no trabalho não é um mero problema de ordem legal, nem um problema que afete apenas o ato organizacional. Há diferenças comportamentais no ambiente de trabalho entre homens e mulheres.Os atrasos das mulheres ao expediente de trabalho, por motivos familiares, são da ordem de 27%; no caso dos homens, esse percentual é de 22%. As saídas antecipadas, por motivos familiares, chegam, no caso das mulheres, a 33% e, no caso dos homens, a 22%. Acredito que o teletrabalho seja fundamental para amenizar essas diferenças e possibilitar a plena conciliação familiar. 

Para o RH planejar algo que se adapte à sua organização é preciso pensar no teletrabalho estabelecendo três grupos diferentes e mais algumas variáveis:

  1. O teletrabalho dos profissionais que não dispõem de outro local e por isso trabalham em casa;
  2. O teletrabalho de tempo parcial, que permite trabalhar em casa alguns dias da semana, e para isso é necessário equipar o funcionário com laptop e outros equipamentos;
  3. O teletrabalho móvel, com o qual ninguém contava, mas que vem permitindo mudar a relação entre o trabalho e as novas tecnologias, e que se caracteriza pelo que chamo de: “a qualquer hora e em qualquer lugar”.

Apesar da convicção geral de que o teletrabalho é uma realidade que veio para ficar, precisamos observar as diferenças de cultura, tipos de empresas e de trabalho. 

O escritório virtual será uma realidade plena, graças as webcams instaladas na casa dos trabalhadores, que permitirão visualizar todo o grupo de trabalho num mesmo cenário virtual comum.

É preciso pensar que pessoas não trabalharão apenas em um lugar como hoje. Os empresários preocupados com a redução de custos fixos, principalmente o dos imóveis, estarão focados em utilizar espaços menores e de menor custo. O teletrabalho permitirá economias significativas de custos dada a menor necessidade de espaço para os escritórios, assim como proporcionar economia de transporte, alimentação, entre outras.

Muitas empresas passarão a pensar que os profissionais devem estar com o cliente e não na empresa. Por isso, os espaços de que necessitam serão menores, sem mesas fixas (uma mesma mesa serve a vários funcionários); ainda que os colaboradores sejam equipados com os aparelhos tecnológicos necessários à execução do trabalho, seja de onde for podem render mais e melhor. Essas empresas, portanto, acham que o melhor que podem fazer é dar flexibilidade de tempo e de espaço aos profissionais.

É importante ponderar que o teletrabalho, porém, esconde alguns sérios perigos, como não saber a hora de se desconectar. Com a flexibilidade que o indivíduo tem, ele pode acabar passando tempo demais diante do computador. Para evitar esse risco, recomenda-se “instruir os diretores, para que aprendam a gerenciar a distância, a estabelecer mensurações por objetivos, a ajudar as pessoas a gerir o tempo, a controlar o estresse, a conciliar a vida pessoal com a profissional e a trabalhar com equilíbrio, evitando passar o tempo todo diante da tela do computador. É preciso ensinar também o teletrabalhador a evitar as tentações próprias do lar.

O receio de não saber se desconectar e a satisfação de pertencer a um grupo são, atualmente, os principais motivos pelos quais muitos profissionais preferem optar pelo teletrabalho parcial. Não faz sentido dizer quanto tempo ele deve permanecer no escritório ou fora dele. Tudo dependerá do momento vital de cada um. A verdadeira mudança consistirá no entendimento do teletrabalho como ferramenta de trabalho do grupo e não de um único indivíduo.

Penso que uma das maiores desvantagens é a do ponto de vista da socialização, porque não favorece a criação do espírito de equipe e obriga o profissional a trabalhar de forma isolada. 

Todos esses fatores devem ser ponderados pelo RH para propor que alguns dos funcionários da empresa possam trabalhar fora dela. O que você acha?

Silvia OSSO é jornalista, palestrante e consultora de empresas. Autora do livro "Atender bem dá lucro" (siosso@uol.com.br)

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