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Pesquisa demonstra diferenças entre RH de multinacionais brasileiras e estrangeiras

Mercado
16/10/2012

A Associação Brasileira de Recursos Humanos do Rio de Janeiro (ABRH-RJ), a de São Paulo (ABRH-SP) e a Fundação Instituto de Administração (FIA-USP), estão apoiando a pesquisa Mobility Brasil, executada pela consultoria Global Line. Desenvolvida a partir do levantamento das principais necessidades de informação de mobilização, junto a profissionais de Recursos Humanos brasileiros diretamente ligados a transferências inter­nacionais, a pesquisa demonstra as diferenças entre as multinacionais brasileiras e as estrangeiras.

"A crise internacional associada à remuneração atrativa para executivos no Brasil e a internacionalização de empresas brasileiras trouxeram a questão da expatriação para o topo da pauta do RH. Mas este não é um assunto apenas para quem trata de expatriados, pois traz grande aprendizado de como lidar com diversidade cultural. Essa importante parceria possibilita trazer dados e fatos confiáveis para uma tendência ainda pouco analisada", avalia Fábio Ribeiro, presidente da ABRH-RJ.

Sete itens foram avaliados na pesquisa: grau de internacionalização, volume de profissionais mobilizados, transferências internacionais envolvendo o Brasil, objetivo e perfil das mobilizações internacionais, gestão das mobilizações, remuneração e benefícios, principais desafios e impactos das diferenças culturais. Um questionário com 32 perguntas foi respondido online por 64 empresas multinacionais brasileiras e estrangeiras entre junho e julho desde ano. Predominantemente, as companhias são de grande porte, dos ramos de indústria e serviço, onde 61% delas têm faturamento anual de US$ 1 bilhão e 53% contabilizam mais de 10 mil funcionários.

Com presença marcante no cenário internacional como destino e origem de capitais e, dadas as oportunidades de investimento lo­cal nos próximos anos em pré-sal, infraestrutura e eventos esportivos - Copa do Mundo e Olimpíadas -, o Brasil desponta como nascente de multinacionais. O fluxo de capitais estimula e acompanha o fluxo de profissionais que, entrando e saindo do país, geram desafios para que as áreas de RH desenvolvam políticas, processos e competências eficientes que permitam gerenciar e apoiar a mobilidade de seus talentos.

A pesquisa Mobility Brasil aponta profissionais brasileiros de RH com referências e tendências de mercado que permitam uma atuação mais sólida no desenho e aprovação de suas iniciativas relacionadas à mobilização inter­nacional. Em linhas gerais, constatou-se que as multinacionais estrangeiras ainda têm uma posição domi­nante em relação ao volume de profissionais entrando e saindo do Brasil e à diversidade de práticas de apoio aos mobilizados. Porém, as brasileiras também se encontram bastante avançadas na mobilização internacio­nal, com volumes significativos e objetivos bastante similares aos das estrangeiras.

Dados da pesquisa

Grau de Internacionalização - As multinacionais estrangeiras, que em sua maioria (64%) foram fundadas antes de 1950, têm uma posição abrangente e pulverizada, e estão presentes em cerca de 40 países. Já as brasileiras têm suas operações mais con­centradas na América Latina e encontram-se em cerca de 14 países. As filiais das multinacionais estrangeiras respondem por 68% do faturamento e 59% dos funcio­nários totais da companhia, contra 23% e 28%, respectivamente, das nacionais. As filiais das estrangeiras respondem por 68% do faturamento e 59% dos funcio­nários totais da companhia, contra 23% e 28%, respectivamente, das multinacionais brasileiras.

Volume de Profissionais Mobilizados - As multinacionais brasileiras lideram em número médio de brasileiros enviados ao exterior. 80% das multinacionais estrangeiras consideram as mobilizações internacionais fundamentais ou muito importantes, contra 67% das brasileiras. Do fluxo total de 3.300 mobilizações internacionais relacionadas ao Brasil mapeadas pela pesquisa, 75% são originados pelas multinacionais estrangeiras.

Transferências Internacionais Envolvendo o Brasil
- As multinacionais brasileiras estão na liderança quanto ao número médio de profissionais enviados ao exterior, com uma média de 51 por empresa contra 31 das estrangeiras. Os principais países de origem/destino de expatriados das multinacionais brasileiras são Angola, países da América Latina e Estados Unidos. Já as multina­cionais estrangeiras estão concentradas nas maiores economias do mundo, como Estados Unidos, Alemanha, França e Grã-Bretanha.

Objetivo e Perfil das Mobilizações Internacionais
- O principal motivo de uma transferência internacional é o preenchimento de necessidades geren­ciais, tanto no caso de multinacionais estrangeiras (30%) quanto brasileiras (28%). Multinacionais estrangeiras utilizam mais a expatriação para transferir tecnologia (15% contra 9% das brasileiras) e as multinacionais brasileiras mais para lançar novas iniciativas (9% contra 2% das estrangeiras). Apenas 10% das empresas utilizam a mobilização com o objetivo de propagar a cultura corporativa.

Multi­nacionais brasileiras expatriam um grande número de profissionais de nível gerencial (53%), ao passo que as empresas estrangeiras priorizam profissionais no nível de diretoria e presidência (36%). Tanto multinacionais brasileiras quanto estrangeiras consideram a capacitação técnica como o prin­cipal critério de seleção do mobilizado (57% e 73%, respectivamente). Questões familiares são o principal motivo de recusa de uma oferta de transferência tanto em em­presas brasileiras (52%) quanto estrangeiras (39%), seguidas por questões relacionadas à remune­ração, (16 e 26%, respectivamente).

Gestão das Mobilizações - Empresas estrangeiras quase sempre têm uma política de mobilização global formal (85%), o que ainda não é tão dominante nas multinacionais brasileiras (64%). Multinacionais estrangeiras têm um maior número de formatos de mobilização internacional (3,6 em média) do que as brasileiras (2,7 em média). Essa diferença é explicada pelo maior uso de trans­ferências definitivas (61% contra 20%) e de programas de curtíssimo prazo, como estágio (29% contra 0%) e job rotation (22% contra 7%). A área responsável pela gestão e atendimento aos mobilizados está geralmente no RH corporativo das empresas estrangeiras (50%) e na área de remuneração e benefícios, no caso das empresas brasileiras (50%).

A decisão de mobilização internacional é mais concentrada na matriz nas multinacionais brasileiras (53%) do que nas estrangeiras (41%), onde é mais comum uma decisão conjunta entre as operações de origem e destino (53%). O perfil de acompanhamento do desempenho do mobilizado é semelhante entre empresas estran­geiras e brasileiras, porém com uma maior participação dos líderes locais (29% contra 15%) no caso das empresas estrangeiras.

Remuneração e Benefícios - A experiência internacional é mais importante para o progresso profissional nas multinacionais es­trangeiras, onde 61% a consideram muito importante ou essencial para a carreira contra apenas 21% nas brasileiras. Multinacionais estrangeiras têm um pacote de benefícios mais amplo, com 13 benefícios em média contra 10 das brasileiras.

Empresas estrangeiras utilizam mais o salário do país de origem como base de referência para a remuneração do expatriado (74% contra 43%). Em contrapartida, aplicam ajuste de custo de vida com maior frequência que as empresas brasileiras (69% contra 57%). O custo de um profissional expatriado é mais do que o dobro que o custo de um profissional local, tanto nas multinacionais estrangeiras (acréscimo de 133%), quanto nas brasileiras (acréscimo de 113%).

Principais Desafios - As áreas de RH das empresas internacionais têm como maior desafio o custo das expatriações (25%), já nas empresas brasileiras o maior desafio é a complexidade de administração e execução dos programas de expatriação (17%) seguida por desafios relacionados à adaptação prática e cul­tural ao novo ambiente (14% e 12%, respectivamente). Os países que oferecem a maior dificuldade para os mobilizados brasileiros são a China, a Índia e a Venezuela. Já no caso dos estrangeiros transferidos para o Brasil, os profissionais com maior dificul­dade de adaptação vêm dos Estados Unidos, França e Argentina. A maior dificuldade do mobilizado brasileiro é a insatisfação com a qualidade de vida (22%), por uma combinação de perfil cultural e destino de expatriação. Já os estrangeiros recebidos no Brasil têm como principal dificuldade a adaptação aos costumes do país.

Impactos das Diferenças Culturais - Mais de 95% das empresas consideram que questões culturais impactam a replicação da cultura corporativa em suas filiais, sendo que mais de 60% consideram esse elemento muito importante ou crítico.

Das empresas que vivenciaram fusões e aquisições internacionais, praticamente todas consideram que as diferenças culturais dificultam a integração das empresas, sendo que 62% das empresas internacionais consideram esse impacto elevado. Mais de 90% das multinacionais brasileiras e estrangeiras consideram que o treinamento intercul­tural agrega valor na preparação dos expatriados.

 

*Essa notícia foi publicada no site RH.com.br, em 15/10/2012

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