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Planejamento estratégico ou Cultura, qual é mais importante?

Mercado
17/08/2015

“A cultura devora a estratégia numa garfada, de café da manhã”. Quem disse isso foi Peter Drucker, reconhecido por seu foco nas relações humanas na administração moderna. O seu alerta é justamente para o fato de que muitos líderes costumam subestimar o poder de uma cultura organizacional saudável. Mas afinal, um bom planejamento estratégico não seria capaz de fortalecer uma empresa da mesma forma?

1. Sem cultura não há estratégia que resista

Uma coisa é certa: num mundo em que muitos líderes só querem pensar novas estratégias e pouquíssimos veem necessidade de falar sobre a cultura da empresa com a equipe, quando você decide ter essa conversa, ganhará respeito. Mas falar sobre a cultura não se reduz a falar sobre a lista de valores e a missão da empresa, e sim garantir que cada um, de estagiários à diretoria, todos acreditam que seu trabalho pode transformar a realidade de alguém, ou ao menos, sua própria realidade.

Enquanto a estratégia aponta o que fazer para alcançar resultados excepcionais, a cultura de uma empresa é o seu porta-retrato. É para onde seus integrantes olham sempre que precisam saber se o que estão fazendo ou pretendem fazer é o mais adequado. A cultura da sua empresa é como um código ético, com todas as práticas referências de como as coisas são feitas. No entanto, para muitos gestores, é difícil tocar nesse assunto, porque eles acreditam que a cultura já está consolidada ou têm medo de ferir as tradições. Por causa disso, a equipe sai prejudicada, tendo de trabalhar num ambiente de mentalidade obsoleta.

2. Mas antes de inovar, garanta o básico

Tenha sempre em mente que uma cultura fragilizada não será fortalecida por uma estratégia matadora, uma reforma no escritório, tampouco por um novo pacote de metas. Só depois de alcançar o básico vocês poderão pensar em um novo planejamento estratégico contra a concorrência, em novas metas ou até inovações de produto. E o que é o básico?

Uma metodologia moderna de trabalho, que estimule o diálogo e priorize a transparência entre todos, com menos hierarquia e mais autonomia: isso sim constrói uma cultura forte. Se você quiser fazer uma reforma, leve em conta esses quesitos. Líderes podem aprender muito com suas equipes se, em vez de rivalidade, incentivarem uma “mentalidade de dono(a)” em cada integrante. Ou seja, mostrar que todos devem levar até o fim os projetos em que trabalham e que serão recompensados por isso.

3. Tenha coerência e os erros serão mais raros

Muitos executivos acreditam que precisam deixar sua autoridade estampada e para isso, adaptam a estratégia da empresa à sua visão de negócios e, depois, adaptam a cultura da empresa à nova estratégia. No entanto, líderes coerentes sabem que a estratégia de uma empresa revela a sua cultura. É inevitável. Você identifica quando os chefes falam de uma gestão descentralizada, mas existe uma clara hierarquia e os líderes não são acessíveis ao time.

Se a estratégia da sua empresa é focada no consumidor, colocando-o no coração de tudo o que a equipe faz, não pode haver um número alto de reclamações. Nessa hora, é preciso rever a cultura. É preciso ter coragem para ouvir más notícias e discutir o assunto com a equipe. Se a empresa não encontrar uma forma de falar sobre notícia negativa, um conflito pessoal, queda na rentabilidade, o porta-retrato da sua empresa – a sua cultura – ficará manchado com casos de fracasso. Vocês podem até sobreviver com uma ou outra reestruturação das estratégias, mas se a cultura não mudar, o colapso estará sempre à porta. Por isso, da próxima vez que cogitar adotar um novo planejamento estratégico, pergunte-se: isso fortalecerá a nossa cultura ou é justamente para não ter de lidar com ela?

Essa dica foi publicada no blog Runrun.it

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