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Por que é necessário delegar?

Mercado
27/04/2015

*Por Eduardo Zugaib

Administrar bem o tempo nesse mundo cada vez mais complexo, em que as atividades muitas vezes se sobrepõem, é uma questão estratégica. Afinal, sucesso significa, antes de mais nada, o estabelecimento de prioridades entre as atividades que são importantes e as que são urgentes.

Se a empresa é um sucesso, mas outras áreas da vida - como a família e os relacionamentos pessoais - estão à beira do colapso, é preciso reestabelecer corretamente as prioridades. A gestão de qualquer negócio prevê um acompanhamento e um controle, especialmente em se tratando de pequenas empresas. Mas, até mesmo para crescer, o empreendedor precisa aprender a delegar, principalmente funções operacionais e táticas.

Um dos aspectos da boa liderança é a capacidade de delegar, que não significa “abrir mão” do controle, como muitos pequenos empreendedores imaginam. A delegação envolve confiança, feedback e monitoramento. Com o exercício conjugado destes 3 fatores, o empreendedor consegue desenvolver lideranças que facilitam seu trabalho estratégico, de pensar a empresa como um todo, posicioná-la no mercado, abrir parcerias e relacionamentos estratégicos para o negócio.

Delegar, se bem feito, acaba acertando em cheio duas questões: a primeira onde, ao dar poder a determinados membros da equipe, esses tornam-se parte da causa e vestem a camisa com o máximo de comprometimento possível.Ao delegar, o líder amplia a inteligência do grupo. Ao confiar determinadas tarefas que antes fazia para outras pessoas, ele pode acabar descobrindo formas de se fazer muito mais inteligentes.

Porém, delegar não significa “delargar”. O feedback contínuo e acompanhamento possibilitam que os caminhos sejam corrigidos conforme surgem os problemas e desafios. Se o empresário como líder não souber aproveitar o potencial de sua equipe, ele mesmo estará estimulando cada funcionário a considerar a empresa como um mero emprego, não como um trabalho que possibilite crescimento pessoal e profissional.

Sendo um mero emprego, uma simples “passagem”, a rotatividade tende a aumentar, especialmente quando falamos da geração Y, aqueles que hoje estão entre os 20 e os 31 anos, e a geração Z, entre 12 e 19 anos, que é a mais nova no mercado de trabalho. A característica principal destes grupos é uma busca intense de significado naquilo que fazem. Quando não encontram, trocam de emprego sem qualquer constrangimento, simplesmente deixando de vir no dia seguinte.

Muitos empreendedores – principalmente no varejo – tem - sentido esse drama na pele, já que o varejo é uma das principais portas de entrada no mercado de trabalho. E a segunda – mas que acredito ser ainda mais importante – é retirar o excesso de trabalho do líder, afinal, esse excesso não é prejudicial somente para sua vida pessoal, mas acaba se refletindo em sua vida profissional. Duvida? Pense comigo: se o empreendedor vai mal, consequentemente o negócio vai mal. Pode até aparentar uma pseudo-solidez, que se esfarela tão logo ele se ausente ou tão logo surja qualquer crise ou problema mais complexo.

Equilíbrio é a chave. Não é uma conquista fácil, mas nunca deve ser perdido de vista. Afinal, sucesso é uma conquista que se comemora juntos, que se compartilha. Ter sucesso e estar sozinho ao final, sem ninguém por perto para compartilhar, deve ser algo muito triste.

É preciso perder o medo de confiar nas pessoas. Isso envolve riscos, pois na certa, alguém sempre vai nos decepcionar. A questão é transformar a decepção em régua e passar a medir todos a partir da desconfiança. Se não há espaço para a confiança e uma percepção construtiva dos erros – e eles vão acontecer - não espere comprometimento, engajamento e, muito menos, iniciativa. Daí surge a centralização, que muitas vezes é expressa da seguinte forma: “Se quer algo bem feito, faça você mesmo”.

E para finalizar, gostaria de deixar algumas dicas para que os líderes finalmente se convençam de que é possível, necessário e fundamental delegar, seja para o bom andamento de sua empresa ou de sua vida pessoal:

  • Acredite na sua equipe. Como em qualquer time, um ou outro pode decepcioná-lo. Mas não se pode medir o todo pelo um.
  • Aprenda a delegar. Para tanto, exercite sua própria autoconfiança delegando inicialmente tarefas que requerem menor controle.
  • Estabeleça acordos de convivência com a equipe, deixando bem claro o que se espera de cada um, bem como dando-lhes a oportunidade de dizer o que também esperam de você (essa segunda parte é a mais difícil).
  • Enumere suas prioridades conforme o grau de importância e urgência de cada atividade. Assim, você organizará melhor a mente e a agenda.
  • Use agenda, se ainda não tem esse hábito. Ao final do dia, coloque no papel as atividades do dia seguinte, pois assim, você abrirá espaço na sua mente para outras atividades e percepções. Pela manhã, o tempo que desperdiçamos tentando organizar a agenda afeta a qualidade de todo o tempo restante do dia.

Existe vida após o expediente! Viva a sua empresa, mas não deixe também de aproveitar a vida, sua família e seus amigos. Isso não significa irresponsabilidade ou falta de foco, como muitos tentam justificar. Mesmo porque, ao abstrairmos a mente em outras atividades, abrimos espaço para a criatividade, que pode ser revertida também para o trabalho e a empresa. Grandes ideias surgem geralmente fora do expediente, onde estamos com a atenção completamente focada na ordem do dia.

*Eduardo Zugaib é escritor, profissional de comunicação e marketing, professor de pós-graduação, palestrante motivacional e comportamental. Ministra treinamentos nas áreas de Desenvolvimento Humano e Performance Organizacional.

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