Huma

Programas de diversidade podem prejudicar mais do que ajudar

Mercado
09/04/2013

Não é novidade que o topo do mundo corporativo ainda é dominado por executivos homens, em sua maioria brancos. E com que intensidade esses líderes trabalham para tornar o ambiente de trabalho mais diverso? De acordo com boa parte dos próprios executivos homens brancos, eles estão fazendo um bom trabalho. Mas a grande maioria de todos os outros profissionais – os mais atingidos pela discriminação nas empresas – não concorda com eles.

A conclusão é de uma pesquisa da consultoria americana Greatheart Leader Labs com 670 líderes de grandes empresas americanas, como o Bank of America, a rede de lojas Walmart e a PepsiCo. Pouco mais da metade dos participantes eram homens brancos, enquanto o resto era formado por profissionais mulheres, negros e pessoas de outras etnias.

Quase metade (45%) dos executivos homens brancos acha que faz um bom trabalho liderando e aceitando de forma eficaz a diversidade no ambiente corporativo. Mas apenas 21% dos outros participantes concordam.

A diferença de opiniões foi ainda maior quando analisadas competências específicas: a capacidade de incluir vozes diversas  na tomada de decisão apresentou uma discrepância de 40 pontos percentuais entre a opinião de homens brancos e dos outros profissionais, e promover talentos diversos por meio do mérito também mostrou uma diferença de 36 pontos percentuais nas opiniões. O mesmo número foi registrado quando analisada a capacidade que esses profissionais têm de formar equipes fortes e diversas.

Um outro estudo mostra que ainda é um desafio medir a eficácia que os programas de incentivo à diversidade têm, de fato, no desenvolvimento de um ambiente mais aberto e inclusivo. Ao contrário, a nova pesquisa mostra que talvez essas ações mais prejudiquem do que ajudem.

O estudo feito por pesquisadores das universidades de Washington e da Califórnia, nos Estados Unidos, identificou os efeitos negativos que esses tipos de programa podem trazer. Os professores descobriram que a existência desse tipo de ação gera uma "ilusão de igualdade" em profissionais de grupos de maior status (no caso, homens brancos), que não correm o risco de sofrer discriminação.

Durante o experimento, essa percepção continuou mesmo quando os pesquisadores deram provas concretas de que a empresa tinha práticas discriminadoras, como pagar mais a homens do que mulheres ou dar preferência à contratação de homens brancos com experiência e formação idêntica a de profissionais mulheres ou membros de minorias competindo pela mesma vaga.

O estudo usa como base pesquisas anteriores que mostram que programas de incentivo à diversidade não resultam em mais espaço para minorias nas organizações, além de uma análise de decisões judiciais que mostrou que a existência desses programas influencia juízes a beneficiar empresas em processos por discriminação.

Segundo uma das autoras do estudo, a professora da Universidade de Washington Cheryl Kaiser, a pesquisa quer atentar para a importância de as empresas agirem mais efetivamente para aumentar a diversidade e medir os resultados de programas que se propõem a agir nesse sentido. "Nosso medo é que as companhias parem de pensar em diversidade entre os funcionários de forma prematura porque eles se sentem 'credenciados' com esses programas. Os resultados do estudo mostram que mesmo as ações que não fazem quase nada para aumentar a diversidade podem ser vistas como eficazes."

 

*Essa notícia foi publicada no site Valor Econômico, em 09/04/2013

Comentários

X

Receba as principais atualizações do Portal Huma

Fique por dentro das novidades da área de gestão de pessoas. Assine a newsletter do Portal Huma e receba as principais informações da semana!

Enviar

https://www.lg.com.br/