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Salários no Brasil estão cada vez mais competitivos, diz sócio da Search

Mercado
09/03/2010

 

O crescimento econômico, a valorização do real frente ao dólar e as negociações sindicais têm feito com que o salário dos profissionais brasileiros se torne cada vez mais alto, inclusive frente aos seus pares que atuam no exterior, de acordo com o sócio da Search Consultoria em Recursos Humanos, Marcelo Braga.

“O salário brasileiro está acima do das multinacionais. Existem pessoas aqui que reportam para o chefe lá fora e recebem mais do que ele”, explicou.

Braga explicou que, desde 2005, o setor privado vem apresentando um crescimento acelerado. No mesmo período, o real se fortaleceu frente ao dólar, passando de uma cotação de R$ 2,35 naquele ano para algo em torno de R$ 1,85, uma queda de cerca de 21%. “Se considerar ainda o ganho com dissídio, o salário em dólar ficou muito maior”.

Na ponta do lápis

Ele deu exemplo de uma pessoa que ganhava R$ 10 mil em 2005, mas teve um reajuste salarial por dissídio de 6% ao ano. Em 2010, ela estaria com um salário de cerca de R$ 13.382. Considerando o dólar de 2005, este valor representaria US$ 5.694 e, se considerado o câmbio de 2010, ele representaria US$ 7.233, uma alta de 27%.

Segundo explicou Braga, o sentido do dissídio é de conseguir uma correção monetária para o salário, que nada mais é do que recuperar as perdas causadas pela inflação. Em uma economia sólida, não existe a necessidade de se fazer isso, uma vez que a perda do poder de compra é pequena. “Os US$ 5.694 de 2005 continuam praticamente os mesmos”, disse Braga.

Agora, se analisadas as pessoas que tiveram promoções na empresa em que atuam, o aumento de salário foi ainda mais acentuado. Vale também citar o papel dos sindicatos, os quais, de acordo com ele, conseguiram boas negociações nos últimos anos.

Bolha de salários?

Questionado sobre se esse aumento de salários no Brasil poderia se transformar em uma “bolha”, Braga disse que sim, mas que ela não está prestes a estourar, o que aconteceria quando o custo da mão-de-obra fosse tão alto para as empresas que elas teriam de demitir, para diminuir os preços dos produtos ao consumidor.

Além disso, é preciso considerar que o Brasil tem uma legislação trabalhista rígida que onera o empregador, que poderia ser flexibilizada em um momento de situação extrema. “Espero uma redução do encargo trabalhista antes disso [do estouro da bolha]”.

Essa notícia foi publicada na Info Money, em 05/03/10

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