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Sem hora para acabar? Celular torna mais difícil se desconectar do trabalho

Mercado
02/02/2016

A tecnologia pode ser aliada de quem precisa ou prefere trabalhar fora do escritório. Mas estar conectado de qualquer lugar e a qualquer horário pode sobrecarregar o profissional.

Para Adalberto Granado Dias, 55, gerente comercial da Balaska Equipamentos, o celular é a principal ferramenta de trabalho. Ele viaja constantemente e deve se manter conectado à empresa e aos clientes, que estão espalhados por outras cidades.

"Na área de vendas, independentemente da distância, o resultado das negociações está intimamente ligado à velocidade da resposta. Assim, o smartphone facilita o trabalho no dia a dia."

Para Otavio Cavalcanti, diretor da Regus Brasil, fornecedora de soluções de trabalho, esse é um caminho sem volta em qualquer área.

"O funcionário abre o e-mail pela manhã, no trânsito, na hora do almoço, não existe pausa", afirma.

Uma pesquisa recente da empresa com 733 executivos corrobora a tese. Checar e-mails de trabalho é uma atividade que metade dos entrevistados está habituada a fazer no café, por exemplo.

Isso não significa, contudo, que o trabalho fora da mesa seja eficiente, diz Gabriel Santos, 27 gerente-executivo de recrutamento da Talenses.

"O profissional deve avaliar se está trabalhando tanto e tão focado quanto estaria em um ambiente convencional. A tecnologia facilita muito, mas tem que ser usada com maturidade."

Parte do desafio é justamente dividir a vida profissional e a pessoal quando as duas estão disponíveis ao alcance do mesmo celular.

Julia Tonetto, 23, trabalha diretamente com clientes no e-commerce B2Blue.com. É comum receber e-mails ou mensagens com solicitações do trabalho.

"Eu procuro resolver o máximo de pendências no escritório para evitar ter que entrar na internet depois", diz.

Ela não abre o e-mail corporativo fora do trabalho, mas responde todas as mensagens no WhatsApp.

"Se não for urgente, deixo a demanda para resolver no dia seguinte. Quero evitar que isso me consuma 24 horas por dia", diz Tonetto. "Se você está na academia ou em um jantar de família e responde e-mails, não é saudável."

Celular torna mais difícil se desconectar do trabalho

Acesso negado

Para evitar o desgaste, a "coach" de carreiras Andreia Roma recomenda que a empresa crie regras claras.

"Em grupos de trabalho criados no WhatsApp, por exemplo, a empresa pode estipular um horário limite para as mensagens", diz.

Na Vale Presente, empresa de cartões pré-pagos, o acesso ao e-mail corporativo é desligado após as 19h.

"Percebemos que, com isso, a hora no escritório rende mais. As reuniões são mais curtas e práticas porque a equipe sabe que não vai ter a opção de resolver depois", diz Rafael Leal, superintendente da área jurídica.

O profissional, contudo, também deve fazer sua parte, diz a consultora Roma. "Se respondo um e-mail de trabalho no domingo, dou abertura para ser cobrado fora do horário. Você pode organizar seu e-mail no fim de semana, mas respondê-los na segunda".

Caso a mensagem seja do chefe, o "coach" de carreiras Marcos Antonio Menezes de França recomenda uma saída estratégica: "Escreva que naquele momento você não pode responder, mas no dia seguinte apresentará uma ideia sobre o assunto".

Essa notícia foi publicada no site da Folha de São Paulo, em 31/01/2016

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