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Turnover: um dos grandes pesadelos das empresas

Mercado
18/09/2012

LG: De forma geral, qual a definição de turnover? E quais fatores podem ocasioná-lo dentro das empresas?

Fábio: A grande rotatividade de colaboradores em um mesmo cargo ou função dentro das organizações caracteriza um fenômeno que gera preocupação em gestores de equipes de todo o mundo. Turnover é o nome dado para este “entra e sai” de colaboradores. Levando-se em conta a realidade brasileira, onde temos empresas de diferentes negócios, tamanhos e estágios de evolução, de modo geral os principais fatores são: instabilidade econômica; desregulamentação ou melhoria de desempenho em determinados setores; crescimento econômico e expansão internacional do mercado brasileiro; mudanças tecnológicas e de modelos de gestão; agilidade da concorrência e perda de mercado; insucesso dos negócios; ambiente e imagem organizacional; falta de diretrizes da empresa; ausência de expectativa ou falta de política e estratégias para crescimento, aprendizagem e carreira; liderança; rotina sem desafios; além de salário e falta de reconhecimento.

Mas sem dúvida, os quatro principais fatores são:
- Desmotivação;
 - Ausência de necessidades básicas no ambiente de trabalho;
 - O flerte da concorrência; e
 - Projetos pessoais.

LG: Como é possível diagnosticar o turnover? Como é feito o cálculo do índice?

Fábio: Um dos instrumentos mais usados para medir o Turnover é a pesquisa de clima organizacional, que é uma forma de se conhecer o nível de satisfação e os fatores de (des)motivação dos empregados. Desta forma, aprofunda-se o conhecimento sobre a força de trabalho, mapeando e propondo soluções sobre os níveis de comprometimento das pessoas, os índices de confiança e a expectativa de permanência na organização. O turnover ou rotatividade de pessoal estabelece média entre admissões e demissões, relacionada ao efetivo médio de colaboradores.

Uma das fórmulas para calcular é:

Turnover: um dos grandes pesadelos das empresas

LG: De que forma ter o controle dos índices de turnover pode ajudar na saúde organizacional da empresa?

Fábio: De forma plena. Se pensarmos numa empresa onde tudo caminha dentro da normalidade, lucrando, ganhando mercado, crescendo, enfim, atingindo seus objetivos, o fato de não haver rotatividade de colaboradores (aumento de quadro pode e deve haver, o que não não é legal é a frequente substituição), proporciona a manutenção da sinergia entre profissionais e departamentos da empresa. Ninguém gosta quando o craque do seu time é vendido ou pede para sair do time. Sempre demora para o substituto ganhar a confiança (quando ganha) e dar resultados (quando dá). Em time que está ganhando, não se tira craque! Ainda mais quando o valor do passe do "craque-profissional" não vai para os cofres do "time-empresa" que vendeu/perdeu.

LG: Quais atitudes os gestores devem tomar para evitar o turnover?

Fábio: Quem está à frente das organizações ou gerindo pessoas, deve atentar ainda mais às equipes que estão liderando. Não é possível guiar uma empresa ao sucesso e à solidificação de seu espaço no mercado, trilhando apenas o caminho do menor custo, menor prazo, melhor entrega e melhor qualidade. Para chegarmos ao topo, além destes fatores diferenciais, devemos ter principalmente a melhor equipe, formada pelos melhores colaboradores (pessoas), motivados por excelentes líderes, onde todos sejam muito competitivos, muito comprometidos, mas acima disso, satisfeitos, serenos e felizes por trabalharem em uma organização que os valoriza e lhes proporciona segurança. Muito mais do que o salário, foi possível constatar nas minhas pesquisas que a segurança, sobre todos os aspectos, é a maior riqueza que o colaborador necessita para trabalhar em paz, dando o melhor de si, garantindo o seu esforço na luta diária por bons resultados, comprometendo-se com as metas e objetivos que lhes são transmitidos. A segurança do salário pago no dia correto, de uma boa alimentação e saúde para si e seus dependentes, segurança e higiene no ambiente de trabalho, segurança de não haver “leva e traz” por parte dos profissionais que fazem a ligação entre quem dirige e quem executa o trabalho, enfim, a segurança de estar trabalhando com gente de bem, para gente de bem e plantando um futuro mais seguro para ele e sua família.

LG: Em seu ponto de vista, qual principal fator pode ocasionar um alto índice de turnover? E de que forma deve ser tratado?

Fábio: Como destaquei no final da primeira resposta, cito quatro fatores fundamentais para o aumento do índice de Turnover nas Empresas:

- Desmotivação: Esta é, sem dúvida, uma grande razão para a rotatividade de funcionários dentro de uma organização. Ela pode gerar demissão voluntária ou involuntária, dependendo apenas de quem vai “cansar” primeiro do desconforto gerado pela insatisfação.

- Ausência de necessidades básicas no ambiente de trabalho: Especialmente higiene e segurança no ambiente de trabalho. Estes dois pontos estão muito ligados ao objetivo de garantir condições de bom desempenho e manter a saúde dos colaboradores. É muito desmotivador entrar no banheiro do nosso local de trabalho e nos depararmos com mau cheiro, fezes, umidade, sanitários quebrados, ausência de água ou produtos de higiene e limpeza. Existe sim o vandalismo, e este tem que ser combatido. O que devemos levar em conta neste momento, é o fato do descaso de alguns empregadores, que não se atentam para a importância do respeito a algumas necessidades básicas do trabalhador. Às vezes, um simples bebedouro ou copo de água (limpos) valem mais do que dinheiro.

- O flerte da concorrência: Bons especialistas valem ouro no mercado e a empresa que não souber como retê-los, os perderá rapidamente para a concorrência. Para o concorrente, atrair um profissional já treinado, experiente e ambientado com o mercado e a função que exerce, pode ser um ótimo negócio, haja vista que deixa de ter despesas com recrutamento, seleção e treinamento de um colaborador menos preparado. Um profissional já qualificado, mesmo custando mais caro para a companhia, representa economia para o centro de custos do RH da empresa (com seleção e treinamento) e resultados praticamente imediatos para o departamento em que irá atuar. A intenção é que a relação custo x benefício (em curto prazo) seja compensatória.

- Projetos pessoais: Neste caso, a saída do colaborador deve-se apenas à vontade do colaborador, independente dos esforços da empresa. Mesmo estando motivado, atuando em um ambiente de trabalho saudável, limpo, seguro e tranquilo em relação ao seu salário e benefícios, ele pode ter planos e sonhos que o afastam de tudo isso. Pode almejar um trabalho diferente do que desempenha na companhia. Pode ter o sonho de possuir o seu próprio negócio ou empreendimento. Uma propriedade rural onde possa ter uma vida mais calma e pacata para si e sua família.

LG: Quais os impactos que o turnover pode causar às empresas? Quais gastos as organizações enfrentam com a alta rotatividade?

Fábio: Os gastos são imensos, pois é preciso recomeçar todo o ciclo de divulgação da vaga, recrutamento, seleção, treinamento, capacitação, tempo de maturação, enfim, ao invés de estar obtendo bons resultados com um colaborador "tinindo", a empresa está recuperando o fôlego. Mas o maior impacto do turnover, sem dúvida, não é material, mas sim, intelectual. Este capital que pode ter sido investido pela empresa em treinamento ou quando do recrutamento e seleção do colaborador não volta. Porém, a grande perda está no estoque de conhecimento que o colaborador que sai leva consigo. Leva as estratégias da sua empresa (de acordo com seu nível hierárquico), leva know how, leva seus pontos fracos, leva treinamento, leva carteira de clientes, leva política de atendimento, finanças e desenvolvimento de produtos e/ou serviço. É comum vermos pessoas que acompanham um garçom que muda de bar. Assim, como também é normal mudarmos de Seguradora quando o corretor troca de pasta, afinal, confiamos no homem ou mulher que nos atende, nos visita e pouco envolvimento temos com a empresa que está por trás. O grande segredo do sucesso em qualquer segmento, mais do que nunca, voltou a estar nas PESSOAS.
 

Turnover: um dos grandes pesadelos das empresasFábio R. Lais é proprietário da Turnover Consultoria, palestrante, docente do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) e professor Universitário. Ministrou mais de 350 palestras, cursos e treinamentos relacionados à motivação pessoal e corporativa, qualidade de vida, liderança, técnicas comerciais, atendimento à clientes, planejamento estratégico, comprometimento, memorização, entre outros. Graduado em Administração de Empresas, pós-graduado em Recursos Humanos e Psicologia Organizacional.

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