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Vantagens e problemas do trabalho temporário

Mercado
29/09/2010

 

A promessa é boa: em 2010, o segmento de varejo deve gerar 130 mil vagas temporárias no final do ano. E se nesse mercado a contratação por pouco tempo é comemorada, há outros negócios em que tal regime de trabalho já não é visto com bons olhos, como o dos professores. Em São Paulo, o número de mestres contratados sob esse regime bateu a marca de 46% do total no período, a maior desde 2005 e o dobro da média nacional. Entre as desvantagens entram o fato de que esse tipo de contrato impede que o professor se programe para realizar um trabalho de longo prazo com os alunos, além, claro, da incerteza na carreira.

Bom para uns e cheio de problemas para outros, o fato é que as empresas dos mais diversos segmentos precisam de profissionais para trabalhar por um período de tempo determinado, ainda que não necessariamente curto. E aí entram desafios e também vantagens, tanto para quem contrata quanto para os que vão exercer a profissão.

“Substituição de férias, licença-maternidade, acréscimo extraordinário de trabalho ou afastamento de um efetivo por doença são as situações mais comuns em que se precisam contratar profissionais temporários”, diz Vânia Costa, do Grupo Panna, empresa que engloba a Temporale, consultoria especializada em recrutar funcionários para atuar por um período determinado de tempo.

E, para muito profissionais, vale a pena ingressar em um trabalho sob esse tipo de contrato. “O emprego temporário exercita a flexibilidade e adaptabilidade, amplia o conhecimento de estruturas, assim como de segmentos de trabalho e networking, além, é claro, de gerar renda para quem está disponível no mercado”, diz, da Benvegnú Consultoria de RH.

Nem sempre só quem está fora do mercado pode se beneficiar de algumas semanas ou meses em uma empresa. “Quando se está disponível por um período superior ao planejado ou sem possibilidade de assumir um compromisso por prazo indeterminado, pode ser vantajoso”, diz Gláucia. Pessoas que têm uma viagem marcada, estudantes que buscam um período de experiência e profissionais que planejam mudar de área, mas precisam de uma renda no meio tempo, são alguns dos que podem se beneficiar. Existem, ainda, aquelas pessoas que não gostam de rotina e optam por relações temporárias.

Assumir uma vaga desse tipo pode ser o pontapé inicial para mostrar trabalho e, talvez, cavar uma contratação definitiva. Se for esse o objetivo, o profissional precisa ficar esperto. Trabalhar com eficiência, observar espaços que possam ser preenchidos com a qualificação que detém e deixar claras a intenção, além da satisfação com a oportunidade, são atitudes que Gláucia lista como essenciais para atingir o objetivo. “É importante, porém, não ficar com falsas expectativas, pois a maioria dos temporários não é efetivada”, explica a consultora.

Escolha certa

Se para as empresas há vantagens em contratar temporários – além de, na grande maioria dos casos, ser uma necessidade do momento, ter temporários na grade custa menos que efetivar --, recrutar para uma atuação sob esse regime pode ser bem desafiador, afinal, se não der certo, terá de se achar um segundo colaborador, o qual terá menos tempo para se familiarizar com o trabalho e concluir projetos. “O recrutamento para o trabalho temporário deve ser conduzido com uma atenção especial, para não resultar na contratação de um profissional improdutivo e que não vai realizar o serviço no prazo”, explica Vânia.

A especialista ensina que o recrutador precisa se certificar de que o candidato é pró-ativo e que está disposto a fazer o trabalho, independentemente do período acordado, e que ele pretende ficar na empresa durante toda a vigência do contrato. As dicas de Vânia para o pessoal de recursos humanos são: delimitar bastante o perfil do candidato de acordo com as expectativas da empresa e vender a vaga de maneira bem transparente. Dar aos temporários os mesmos benefícios dos funcionários efetivos também é sempre recomendado.

Rupturas inesperadas nessa relação de trabalho podem gerar danos grandes e impactar o resultado final do projeto. E, nessa hora, entra a necessidade de ter um contrato muito bem amarrado para evitar perdas. “Não existe contrato que impeça o funcionário temporário de sair no meio do período acordado. O que existe são cláusulas de rescisão para ambas as partes”, explica Vânia. Se for o caso do funcionário conseguir outro emprego, definitivo, no meio da vigência do trabalho, seja ele regido por um contrato formal ou não, a recomendação é ser transparente. “O profissional deve verificar se existe alguma possibilidade de contratação ao final do contrato temporário. Se não existir, esclarecer que não pode abrir mão de uma oportunidade por prazo indeterminado”, ensina Gláucia.

O sim e não dos temporários

Ficar em uma empresa por um período determinado de tempo requer jogo de cintura para se integrar à equipe efetiva. A consultora Gláucia Benvegnú dá algumas sugestões de como se comportar.

Deve: agir com educação, ser solícito, interagir com os novos colegas, chefes e subordinados, se houver, são algumas delas. Também, é importante acelerar o entendimento da estrutura e das necessidades da empresa. Ser resiliente no caso de notar resistência por parte da equipe completa a lista.

Não deve: envolver-se em questões polêmicas ou fofocas. Também não é recomendado tomar partido em eventuais disputas de grupos pré-existentes.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 23/09/10.

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