Trabalho híbrido: 7 dicas para ter sucesso ao liderar equipes
Especialista dá dicas de como liderar no novo modelo de trabalho.
10 Ago 2021
Atualizado em 16 Set 2024
11 minutos de leitura

Sumário
- 1- Pense no líder como o maestro do trabalho híbrido
- 2- Promova o pertencimento e o engajamento
- 3- Faça um esforço consciente de liderança
- 3- Mantenha a sintonia entre liderados
- 4- Crie ações para o sucesso da equipe
- 5- Conheça e acompanhe de perto sua equipe
- 6- Gere confiança e seja eficaz
- 7- Use a tecnologia a seu favor
- Bônus: Qual o papel do RH no trabalho híbrido?
Com a pandemia, o modelo de trabalho híbrido tem se tornado uma opção cada vez mais viável para as companhias. No entanto, ainda são muitos os questionamentos acerca do tema: como liderar equipes formadas por pessoas que podem trabalhar do escritório e outras de casa, em qualquer lugar do mundo? Como manter a sinergia do time e garantir o engajamento de todos?
Esse é um cenário que todos os líderes devem se atentar, pois a tendência veio para ficar. É o que afirma o estudo “Demanda por talentos no cenário atual em 2021”, divulgado pela Robert Half. O levantamento contou com a participação de 1.500 executivos na Alemanha, Bélgica, Brasil, França e Reino Unido, e apontou que, para 95% dos executivos entrevistados, a modalidade híbrida agora é vista como parte permanente do cenário de empregos.
O estudo ainda identificou que, de abril a dezembro de 2020, 80% das vagas trabalhadas pela Robert Half foram para posições 75% ou 100% remotas. Em 2019, apenas 5% tinham essa característica, deixando claro que a transformação é intensa.
No novo ambiente de trabalho, é fundamental que os líderes conheçam as perspectivas que o modelo promove. Por isso, levantamos informações e dicas relevantes para tornar a liderança mais prática, eficiente e próxima nessa realidade. Confira sete dicas para o trabalho híbrido que os líderes não podem ignorar.
1- Pense no líder como o maestro do trabalho híbrido
Promover uma comunicação alinhada e a equipe engajada estão entre os principais desafios do trabalho híbrido. É o que acredita Tatiana Dallago, Coordenadora e Docente do MBA de Liderança 4.0 e Desenvolvimento Humano no Instituto Projeção, além de Mentora e Trainer para desenvolvimento de líderes. “É preciso manter um sincronismo de ações, comunicações e confiança de que a equipe conseguirá entregar os resultados acordados”, afirma.
A especialista acredita que a liderança passa a assumir o desafio de “equilibrar a equipe” e usa a metáfora da orquestra para esclarecer o contexto. “Eu penso no líder como um maestro, sabendo que, individualmente, cada liderado deverá tocar seu instrumento muito bem, enquanto o gestor deverá unir essas pessoas, coletivamente, nos momentos adequados para, com harmonia, produzir uma bela sinfonia. Assim, é essencial ter clareza dos objetivos a serem alcançados e criar uma visão compartilhada para que todos possam atingir essas metas”, explica.
Além disso, precisa haver um compromisso claro entre líderes e liderados, para que o trabalho híbrido flua da melhor forma e alcance os resultados esperados. “Deve-se avaliar jornadas presenciais e, se necessário, fazer acordos sobre quem e o que carece ser executado no presencial e no remoto”, alerta Tatiana.
2- Promova o pertencimento e o engajamento
Antes de criar iniciativas para promover um bom relacionamento entre colaboradores e empresa, há uma pergunta importante a ser feita, segundo a mentora. “Você deve se questionar: se a distância e barreiras físicas não fossem impedimentos, o que eu faria? A partir das respostas, parta para a execução com os recursos de que você dispõe”, aconselha.
Para Tatiana, pertencimento e engajamento transitam pela capacidade do líder de despertar no coordenado a importância do seu trabalho naquilo que estão construindo. “Quando um liderado entende o seu papel nessa construção, quando ele vê seus resultados contribuindo para o sucesso da empresa e dos clientes através dos seus produtos e serviços, ele vai entregar mais”, defende.
Nesse cenário, o líder precisa viabilizar, tanto presencialmente quanto remotamente, conversas frequentes com os colaboradores. “Ele deve dar feedback, mostrando se o liderado está indo na direção correta e se existe necessidade de alguma mudança. Também é importante celebrar as pequenas conquistas. Quantas vezes vejo equipes completamente desmotivadas, porque sua liderança não divulga, não comemora e não parabeniza os resultados alcançados. Ou quando faz, o faz em mérito próprio, e não mostrando o que a equipe realizou”, alega.
3- Faça um esforço consciente de liderança
O líder deve dar motivos para as pessoas agirem no trabalho híbrido e também no presencial. Para Tatiana, essa ação necessita partir do coração, da vontade de entregar o seu melhor. E, para que isso aconteça, é exigido prática.
“É preciso haver treino. Coloque na agenda se necessário: prática deliberada para chegar a resultados extraordinários. Eu faço muito essa pergunta: quanto tempo você tem se dedicado conscientemente a estar presente e desenvolver sua equipe? Liste as atividades da sua semana e confira se nelas, constam atividades de desenvolvimento, de ouvir, orientar, treinar? Se não, comece agora. Ouça, compartilhe e desperte uma curiosidade genuína pelas pessoas”, recomenda.
Além disso, Tatiana aconselha que o gestor coloque as ideias dos liderados em prática. Dessa forma, ele deve prestar atenção em não priorizar somente quem está frequentando a empresa. “Esse é um grande desafio, pois a tendência de falar mais, conversar mais, delegar mais, é mais natural para quem está perto, presencialmente. Portanto, ter esse olhar atento para todos, é fundamental”, orienta.
3- Mantenha a sintonia entre liderados
O líder deve promover encontros frequentes entre os liderados, representados por pequenos rituais. “Reuniões diárias para alinhamento de ações, para verificação de impedimentos que possam comprometer o resultado da equipe são fundamentais. Também é preciso fazer encontros para descompressão, talvez uma vídeoconferência aberta para tomarem um café juntos, um happy hour virtual, tudo isso contribui para que as pessoas interajam mais, se conheçam mais e estejam sintonizadas”, explica.
Outra prática incentivada por Tatiana no trabalho híbrido é o aprendizado em conjunto. “Promova encontros e oportunidades para que alguém que saiba mais sobre um assunto possa ensinar e compartilhar o seu conhecimento com outros. Possibilite também que colaboradores diferentes trabalhem em propostas diferentes. Se eu estou acostumada a atuar nos projetos de sempre, com as mesmas pessoas, diminuo a minha chance de conhecer outros colaboradores, ideias e pontos de vista”, aconselha.
Indo além, a mentora defende a importância de dar voz aos liderados, promover uma cultura da colaboração e construção de resultados de forma participativa. “Não dá mais para o líder ser o dono da razão, o detentor de todas as respostas. E quando ele abre uma conexão com os demais membros da equipe, compartilhando decisões, incentivando a troca de ideias e, principalmente, se colocando também em lugar de aprendizado, permite que as pessoas façam o mesmo. E isso gera conexão. Isso gera sintonia”, garante.
4- Crie ações para o sucesso da equipe
Mais do que no ambiente presencial, o trabalho híbrido exige uma forte confiança no time a partir de um conhecimento profundo de quais são seus talentos, potencialidades, o que cada um faz de melhor e o que precisa ser desenvolvido.
Nesse sentido, Tatiana levanta outras ações indispensáveis para esse cenário:
- Faça acordos bem-feitos: combine com seu time como serão realizados os acompanhamentos, os feedbacks, as reuniões 1:1, as apresentações de resultados. Concilie e faça acontecer.
- Garanta que a comunicação flua para todos: clareza nas informações, objetivos e resultados a serem alcançados são essenciais. Não existe óbvio na comunicação. E quanto mais clara ela for, maior a chance de o líder alcançar os resultados com sua equipe.
- Tenha ferramentas, sistemas e recursos necessários: para que as pessoas executem bem o que precisam realizar.
- Controle informações sensíveis e promova a proteção dos dados: já que esses poderão ser acessados de qualquer local.
- Faça a gestão do fluxo de trabalho e não de pessoas: se o líder criou visão, definiu estratégias, fez acordos com prazos e resultados claros, ele deve concentrar-se em verificar se o fluxo do trabalho está funcionando bem. Pessoas adultas, maduras e com talento irão entregar. Certifique-se que elas têm tudo o que precisam e dê autonomia.
- Teste, erre, avalie, aprenda e melhore: não temos certeza do futuro. Estamos vivendo um mundo novo. Para isso, é preciso desaprender e permitir-se testar. Com cada aprendizado e experiências, vêm as melhorias para os processos.
5- Conheça e acompanhe de perto sua equipe
No trabalho híbrido, será exigido que o líder faça a checagem para saber se toda a equipe tem o entendimento necessário para cumprir os objetivos. Além disso, Tatiana alerta para a necessidade de saber qual é o perfil de cada liderado.
“Existem pessoas que vão produzir mais no escritório, outras em qualquer lugar. É preciso conhecer cada membro da equipe e entender o que funciona para cada um, quais são as dificuldades e facilidades, para garantir que todos estejam bem e entregando os resultados esperados”, destaca ela.
Também será importante avaliar e entender quais atividades são melhores de serem executadas no presencial e se existe essa necessidade. Nesse processo, Tatiana recomenda que os líderes estejam atentos até mesmo para uma possível perda de colaboradores, se a empresa definir que o trabalho presencial em alguns dias da semana será uma exigência, por exemplo.
“Com a pandemia, algumas pessoas já declararam que não voltarão para o presencial, após entenderem que o modelo remoto funciona muito bem. E com o mercado do mundo aberto para isso, o colaborador pode procurar outras oportunidades”, afirma.
Ademais, periodicamente, o gestor deve analisar se os acordos estão sendo cumpridos. “Sem burocracia ou microgerenciamento. Tenha ferramentas de gestão que permitam esse acompanhamento. Aqui, a mudança de cultura da empresa e liderança é fundamental, olhando para a entrega de valor e não para a parte visível do esforço de horas trabalhadas”, explica.
Para além da produtividade, o gestor também deve se inteirar da saúde emocional dos membros do time. “Se o líder está perto do seu colaborador, seja à distância ou presencial, precisa observar as emoções da sua equipe e como isso está refletindo em seus resultados. O contexto atual do nosso mundo está gerando muita ansiedade e medo nas pessoas. Ele tem que estar atento a sinais de irritabilidade, baixa de energia, desmotivação e entender como o ambiente, o seu comportamento e o seu apoio podem ajudar o liderado a passar melhor por essas emoções”, alerta.
6- Gere confiança e seja eficaz
O líder eficaz é aquele que influencia e desperta em seu time a vontade de ser melhor em tudo o que fazem, como pessoas e profissionais. “Para isso, precisa gerar confiança e a crença de que seus liderados podem contar com ele. Ser congruente com o que faz e com o que fala. Ele é exemplo, ensinando o que sabe e aprendendo o que não sabe, ouvindo as pessoas e co-criando com elas os resultados que tanto querem”, exemplifica.
A partir dessa liderança, a visão com propósito se sobressai e a vulnerabilidade abre espaço para a admiração. “O líder eficaz tira a capa de super-herói e mostra suas feridas também, quando isso for necessário. Nesses momentos, os liderados o enxergam como um ser humano, que tem acertos, erros, medos, vitórias, cansaço, vontades e que está no campo com eles jogando e mostrando a direção. Isso gera empatia e conexão”, afirma.
Os erros fazem parte do processo de aprendizagem e evolução e, para isso, a gestão deve permitir a experimentação. “O gestor deve ouvir tanto liderados quanto clientes, entendendo aquilo que é o mais importante para resolver suas dores”, aconselha.
Finalmente, nessa jornada de aprendizado, o líder eficaz é aquele que gera resultados para todos. “Ganham empresa, clientes, liderados e ambiente. Ele sabe aproveitar a jornada, tornando todos muito mais fortes, resilientes, sábios e preparados para novos desafios”, reflete Tatiana.
7- Use a tecnologia a seu favor
Tatiana propõe três pontos fundamentais nas quais a tecnologia se torna aliada da liderança durante o processo de trabalho híbrido:
- Transparência da informação: dados relevantes devem estar disponíveis para que todos acessem com segurança.
- Colaboração: a automação, com ferramentas de gestão, ajuda a ter visibilidade do fluxo de trabalho, dos objetivos e do andamento dos projetos.
- Agilidade: se a informação está disponível, há interação constante e colaboração entre os times e ganho de facilidade na tomada de decisões. “Em um mundo onde tudo muda o tempo todo, é importante termos informações sólidas, objetivas e consistentes que nos ajudam a direcionar ações”, declara Tatiana.
Bônus: Qual o papel do RH no trabalho híbrido?
Segundo a especialista, o RH é indispensável para ajudar líderes e liderados a encarar melhor os desafios do trabalho híbrido. “A área deve estabelecer um compromisso de construção juntamente com a liderança, ajudando-os a identificar melhor como lidar com cada colaborador, oferecendo informações e ferramentas que ajudem todos a se desenvolverem, seja em conhecimentos técnicos, seja em comportamentos”.
Para Tatiana, o olhar para as pessoas é fundamental e o RH deve ser o promotor dessa cultura. “O setor ajuda a empresa e a liderança a colocar as pessoas certas nos locais corretos, pensando na estratégia da companhia e atuando como parceiro em um crescimento muito mais sustentável. Além disso, é preciso ajudar cada um a se fortalecer na sua autenticidade, liberando e formando talentos. E ele não faz sozinho, faz com a liderança que, por sua vez, leva isso também para as equipes”, esclarece.
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