Quando se fala em custo de um funcionário para a empresa, é comum achar que o gasto se limita ao salário que ele recebe por mês. Ou seja, o comum é pensar que, se ele ganha R$ 2.000, a companhia desembolsa somente esse valor.
Porém, há uma série de benefícios, encargos e obrigações legais que recaem sobre a empresa que contrata o trabalhador, o que pode aumentar consideravelmente esse gasto.
Neste artigo, vamos esclarecer quais são as responsabilidades de uma empresa, mostrar como esses custos impactam o orçamento, detalhar o cálculo do custo de um funcionário e reforçar a importância de uma gestão de custos de pessoal estruturada no RH. Confira.
Principais aprendizados deste artigo
- O custo de um funcionário na folha de pagamento engloba não apenas a remuneração pelos serviços prestados, mas também os encargos e o pagamento de benefícios.
- A quantia que a empresa deve desembolsar para manter um colaborador também é influenciada pelos custos indiretos, como os gastos com onboarding e treinamentos corporativos.
- Na lista de encargos que afetam o custo, temos as contribuições ao INSS e ao FGTS e os adicionais obrigatórios, como de periculosidade e de insalubridade.
- Ao fazer o cálculo do custo de um funcionário, considere os encargos, mas também outros elementos, como percentual do 13º salário, férias remuneradas e licenças.
- A melhor maneira de garantir a eficiência no cálculo do custo do funcionário é por meio da automatização, o que torna recomendável o uso de um sistema de folha de pagamento.
Qual é, de fato, o custo do funcionário para a empresa?
O custo vai além do salário anunciado na descrição da vaga. Na prática, a organização pode precisar desembolsar quase o triplo do valor da remuneração, a depender de fatores como o regime tributário adotado e os benefícios corporativos oferecidos, para manter um colaborador contratado pelo regime CLT.
Esses resultados são de uma pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que mostra que os gastos com o trabalhador podem representar até 183% a mais do que o que ele recebe, de fato, na folha de pagamento.
Vale ressaltar que alguns dos elementos que afetam o custo total do colaborador são:
- encargos trabalhistas: contribuições ao INSS e FGTS, férias remuneradas, 13º salário e descanso semanal;
- benefícios: vale-transporte e alimentação, plano de saúde e auxílio-creche;
- treinamento e onboarding: preparação e aplicação das capacitações;
- custos indiretos: materiais de trabalho, sistemas e uniformes.
Todos esses pontos devem ser considerados no cálculo que define o custo do funcionário para a empresa, conforme detalharemos mais adiante neste artigo.
Quais são os principais encargos trabalhistas por funcionário?
A lista de encargos trabalhistas por funcionário inclui:
- Instituto Nacional do Seguro Social (INSS);
- Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS);
- adicionais obrigatórios;
- licenças.
Além desses encargos, é preciso considerar os gastos com onboarding, treinamentos e os benefícios corporativos. Veja quais são os principais a seguir.
Qual é a relação entre benefícios e custo de pessoal?
A relação é estreita porque o valor dos adicionais, sejam obrigatórios ou opcionais, precisa sair do orçamento da empresa. Neste caso, do caixa da empresa, o que faz com que o pagamento desses benefícios afete o quanto a organização precisa desembolsar todos os meses ao contratar um funcionário.
Aqui, é preciso considerar aqueles que a Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT, obriga as empresas a concederem, como:
- vale-transporte;
- 13º salário;
- férias;
- licença-maternidade ou paternidade;
- adicional noturno, de insalubridade ou periculosidade.
A conta também considera aqueles concedidos na busca pela criação de uma vantagem competitiva na atração de talentos, os quais se destacam:
- bolsas de estudos;
- programas de bem-estar;
- plano odontológico;
- auxílio home office.
Como fazer o cálculo do custo de um funcionário?
O cálculo considera os gastos diretos da contratação, que são aqueles pagos diretamente ao colaborador, como salário e benefícios, e custos indiretos, que a companhia paga ao governo, como os encargos sociais exigidos por lei. Já os benefícios variam conforme a categoria profissional.
No exemplo que preparamos para este post, o professor Bruno Araújo, do curso de Ciências Contábeis do Ibmec, usou como base um salário de R$ 1.000 para facilitar a compreensão.
Vale-transporte e auxílio-alimentação
O primeiro gasto da companhia, para além do salário, está no vale-transporte, que é usado para o funcionário chegar ao local de trabalho.
Ao aplicar o preço médio da passagem nas capitais brasileiras como R$ 4,50 e ao imaginar que o nosso funcionário fictício precise de dois transportes diferentes para ir e mais dois para voltar nos 22 dias do mês, soma-se ao salário um total de R$396,00.
Ele ainda arca com 6% da remuneração, ou seja, R$ 60 são descontados na folha de pagamento. Os outros R$336,00, quem paga é a empresa. Quanto menor o salário, mais pesado é esse custo com transporte.
Se o colaborador ganhasse o dobro, o gasto seria mais ou menos o mesmo. Representativamente, o valor é maior para os trabalhadores de rendimento menor.
Para algumas categorias, o auxílio-alimentação é determinado pelo sindicato em convenção coletiva. No exemplo que usamos, o ticket diário é de R$ 16,44. Multiplicado por 22 dias, o valor chega a R$ 361,68. O trabalhador paga por 20% desse valor, restando para a empresa o total de R$ 289,34.
A companhia também deve arcar com outras obrigações decorrentes de convenções coletivas, como plano de saúde, seguro de vida e contribuição ao programa de qualificação. Ao todo, esses acordos custam cerca de R$ 65.
Os valores apresentados neste exemplo são meramente ilustrativos e podem variar conforme a convenção coletiva da categoria, a região, o regime tributário adotado e as políticas internas de benefícios da empresa.
Encargos sociais
Quando a empresa contrata um funcionário, precisa arcar com encargos sociais que incidem sobre o salário bruto, e não sobre o salário líquido. Esses encargos variam conforme o enquadramento da empresa e a atividade exercida, podendo representar, em média, cerca de 37% da remuneração.
Considerando um salário bruto de R$1.000, os encargos podem representar aproximadamente R$370, sendo parte destinada às contribuições previdenciárias e 8% obrigatoriamente recolhidos ao FGTS, o que corresponde a R$80.
Também é necessário pensar em gastos periódicos, mas que não acontecem todo mês: os principais deles são os pagamentos de férias e 13º salário.
Na prática, é como se você tivesse que arcar com 8,33% mensalmente para chegar a 100% no final de 12 meses. O pagamento do 13º salário acrescenta R$ 83,30 à conta. Já as férias correspondem ao mesmo valor, com o adicional de 1/3, ou seja, mais R$110,10.
Outros custos
Supondo que a empresa custeie os uniformes dos funcionários, podemos acrescentar cerca de R$80 para cada trabalhador.
Outras estimativas gerenciais também podem ser consideradas no planejamento de custos, como afastamentos por licença-maternidade ou licença-paternidade e ausências por doença ou acidente de trabalho, que, em média, podem representar cerca de 1% cada no custo total do colaborador.
Além disso, essas estimativas podem sofrer impactos de encargos adicionais, que variam conforme o enquadramento da empresa e a legislação aplicável, não havendo um percentual fixo determinado em lei.
A companhia ainda deve estar preparada para lidar com imprevistos e contar com esses custos antecipadamente. Afinal, é melhor se prevenir de qualquer adversidade.
Qual é o custo total do colaborador para a empresa?
Após a soma dos benefícios obrigatórios, encargos sociais e demais estimativas consideradas neste exemplo, o custo total do colaborador que recebe um salário de R$1.000 chega a R$2.514 para a empresa.
E este número não é proporcional: mesmo que o salário dobre, alguns gastos, como vale-transporte e auxílio-alimentação, continuam os mesmos.
Essa característica faz com que, ao aplicar a mesma lógica de cálculo a um salário de R$2.000, o custo total para a organização chegue a R$4.205, considerando as mesmas premissas utilizadas anteriormente.
Para micro e pequenas empresas, o resultado também pode ser diferente. Caso a companhia esteja enquadrada no Simples Nacional,pode haver isenção da contribuição patronal ao INSS, o que, neste exemplo, faz o valor final chegar a R$2.150, considerando um salário base de R$1.000.
Vale destacar que esse cálculo considera um cenário regular. Em situações como afastamentos, acidentes de trabalho ou desligamentos, outros custos podem surgir, como despesas rescisórias, recrutamento e treinamento de um novo colaborador, o que torna o custo total mais elevado e difícil de mensurar com precisão.
Qual é a importância do orçamento de RH na gestão de custos de pessoal?
Um orçamento bem executado e organizado facilita o acompanhamento dos custos dos funcionários para a empresa e a comparação entre o que é feito e o que foi planejado. O objetivo do RH, nesta situação, é garantir que a estimativa não seja ultrapassada e controlar os gastos durante o ano.
Essa prática de planejar e estruturar o orçamento é fundamental para a projeção de custos, gastos e investimentos que a companhia terá com seus colaboradores e evita imprevistos e despesas que ultrapassem o esperado.
Para montar o orçamento e controlar as despesas da empresa, é importante contar com a ajuda de um sistema de folha de pagamento que apoie a gestão de custos de pessoal como a solução da LG lugar de gente.
A plataforma permite automatizar os cálculos, centralizar as operações e acessar os dados na nuvem, o que contribui para ganhos de produtividade e segurança, com conformidade à legislação trabalhista.
Veja como a solução de folha de pagamento da LG lugar de gente pode apoiar a organização do orçamento de RH e contribuir para uma gestão mais eficiente dos custos de pessoal.
FAQ: Principais perguntas sobre custo do funcionário para a empresa
Quais itens compõem o custo total de um funcionário?
O custo de um funcionário para a empresa é composto por:
- salário base;
- encargos trabalhistas;
- encargos previdenciários;
- benefícios obrigatórios e opcionais;
- infraestrutura de trabalho.
Como calcular encargos trabalhistas para cada colaborador?
O cálculo depende do regime tributário da empresa, já que negócios que optam pelo Simples Nacional têm alíquotas menores do que aqueles que usam os modelos de Lucro Real e Lucro Presumido. Em seguida, é necessário identificar os encargos devidos e usar o salário bruto como base de cálculo.
O que incluir no cálculo de benefícios e infraestrutura?
Inclua todos os benefícios obrigatórios, como FGTS, férias remuneradas, 13º salário e licenças, e, se houver, os opcionais, como vale-alimentação e plano de saúde. Já nos custos de infraestrutura, considere os gastos com espaço e materiais de trabalho, além de equipamentos, como uniformes e equipamentos de proteção.
Como estimar o custo de treinamento e onboarding?
A estimativa deve considerar as necessidades da equipe, a quantidade de colaboradores e a duração dos processos. Também é importante usar o orçamento de treinamentos anteriores como base para calcular quanto, em média, a empresa precisará investir para estruturar as capacitações.
Há diferença entre custo direto e indireto de um funcionário?
Sim. Os custos diretos impactam diretamente a produção, como salários, treinamentos e benefícios trabalhistas. Já os custos indiretos influenciam o orçamento de forma menos imediata, como o tempo e o investimento para planejar capacitações e os gastos com deslocamento, no caso de treinamentos presenciais, ou com plataformas virtuais, no caso de treinamentos online.